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Festival dos Cravos de Abril 2013

Não vou falar sobre cada uma das actividades. Decorreram de 17 de Abril a 17 de Maio.Duas datas de memória, de revolta, de inconformismo. A primeira lembrando o início da luta estudantil, em 1969, em Coimbra e a segunda o gérmen da "Grândola, vila morena",  na cabeça de Zeca Afonso, canção emblemática para o 25 de Abril e para os dias de hoje.
Foram bastantes iniciativas, conforme o cartaz mais abaixo. As fotografias dizem alguma coisa sobre elas. Mostram que quisemos fazer um percurso entre o passado e o presente com exemplos de luta e resistência. Fomos a Gaza com uma peça de teatro; revisitámos quem afrontou Salazar, sem medo; homenageamos Saramago e a sua postura frontal contra o sistema; realizámos o Arraial Popular, ou dos Cravos,  com canções de ontem e hoje, com jovens e menos jovens; o Concurso de fotografia demonstrou interesse por parte dos concorrentes e a importância do significado do 25 de Abril na vida das pessoas; e  ainda tivemos connosco a Solidariedade ao vivo, na Exposição de Pintura, a nosso favor,  de Maria Vitória Pato. O nosso sentimento é de gratidão e alegria pois conseguimos concretizar este projecto completamente desligados de qualquer ajuda institucional. Só com a nossa força à qual se juntou a das Associações participantes e a dos amigos. A todos e todas o nosso agradecimento pelo apoio incondicional e decisivo.
Mas devemos confessar que temos pena de que os poderes públicos ainda não tenham entendido o interesse  para a cidade de uma iniciativa como esta. Terá ficado demonstrado que este ano não houve qualquer iniciativa sobre o 25 de Abril  porque nós não a realizámos?

Neste pequeno texto de reflexão final sobre o Festival dos Cravos de Abril, lembro as  palavras de José Fanha que dizem:

"Era Abril que veio e que partiu
Abril a deixar sementes prateadas
germinando longamente
no olhar dos meninos por haver"

Ao celebrarmos 39 anos de Abril, fica-nos a sensação amarga de sonhos por haver, de sementes que germinam tão longamente que secam com a falta da água redentora da confiança, da honestidade, da responsabilidade, do profissionalismo e da defesa do bem comum. Secaram e não completaram o seu ciclo de flor, fruto ou árvore, ou vida animal, humana. Abril veio e partiu. chegou com a primavera a um jardim que o poeta plantou á beira-mar, florindo cravos nas espingardas e nos sorrisos, levando ao rubro a alegria e a metáfora das portas que abriu. Mas Abril partiu. Partiu deixando a desilusão num povo plantado junto ao mar que se alarga e se levanta em turbilhão de espuma e de nada, para lá do pensamento, da fuga e do desespero. Abril partiu deste jardim que era nosso, semeado pela vontade, pelo fulgor e pela esperança e que agora é só passado. Um jardim seco e triste de onde cortaram todas as rosas. E o nosso futuro vai à procura de outros rumos, outras estrelas, outras montanhas e rios, outros mares. O nosso futuro vai-se em novos e velhos, deixando o país no cais da desesperança. E nós mudos de espanto e desencanto, olhamos as nuvens que nos envolvem, tentando ver o sol.
No entanto, a vida, o instinto vital  da sobrevivência é muito forte e, apesar de tudo, sentimo-nos invadir por uma força que não sabemos de onde vem e insistimos teimosamente em realizar este Festival, lembrar  o 25 de Abril com  tudo o que  nos trouxe e da opressão de que nos libertou e como nos restituiu a dignidade de ser gente. E assim, ondas fortes de resistência e emoção batem nas amuradas do lado esquerdo do peito e salpicam-nos o rosto de gotas salgadas que deslizam dos olhos molhados e correm até à boca que, de repente, se faz voz e grito. E a voz canta "o povo é quem mais ordena" e as mãos são bandeiras desfraldadas ao vento e o corpo é arma da cantiga que diz "basta, já!". Por isso continuamos, celebrando esse Abril, sempre! Não deixando esmorecer a nossa alma, acreditando na esperança. Queremos fazer Abril acontecer de novo! Não queremos esquecer esse contentamento que desabrochou inesperadamente em cravos vermelhos num dia de Abril de promessas e canções, conquistado por "semeadores de horizontes", armados de utopias, no gesto de criar um mundo novo com "gente igual por dentro e gente igual por fora". Por isso dizemos, voltando a J.Fanha que Abril deixou as suas sementes e que estas continuam a germinar. Os meninos irão colher essas sementes e transformá-las em luta e por um mundo melhor.
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Viva o 25 de Abril, sempre!
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Festival dos Cravos de Abril 2012


Festejamos o 25 de Abril há 8 anos, com uma programação variada que tem melhorado de ano para ano. Para além da programação habitual com conferências, filmes, atividades com crianças, concurso de fotografia, este ano ainda evocámos, num belíssimo concerto, no também belo jardim de S. Pedro de Alcântara, as figuras ímpares de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, sob a égide do projeto da AJA Norte "amigos maiores que o pensamento".

O Festival dos Cravos de Abril insere-se no Plano de Atividades da Abril para o biénio de 2012/2013 que elegeu para lema um verso de Camões que fala de "um contentamento descontente". Fomos buscar a Camões estas palavras, que embora retiradas de um poema de amor se adaptam muito ao tempo de hoje, se quisermos extrapolar para outros sentidos e significados.

No entanto, também se trata de amor. Um amor contente que nos leva a realizar atividades, a festejar Abril, a não deixar perder a memória, a dignificar a mulher, a realizar visitas culturais, a organizar ações de solidariedade, a participar em atividades politicas pugnando pela justiça social, a não esquecer que o povo começou a ter voz no dia em que em conjunto e sem medo cantou "Grândola, vila morena". Esse é o nosso contentamento de resistência, de não desistir e não cair na apatia ou na indiferença e cuja mensagem queremos transmitir às novas gerações. É bem o nosso amor contente à causa da democracia, da cidadania e da liberdade.

Mas também é um amor descontente porque são difíceis de trilhar os caminhos da cidadania. Torna-se cada vez mais complicado os cidadãos anónimos terem direito a fazerem-se ouvir, a atuar no quotidiano de forma voluntária, responsável, sem qualquer outro interesse que não seja o da participação, da consciência cívica, o de tentar contribuir para a construção de um mundo mais justo e solidário.

Esta Associação se não tivesse outros objetivos, que os tem, apenas pelo nome que assumiu tem responsabilidades acrescidas que a vinculam a uma data que quer defender, bem como tudo o que ela trouxe de valores fundamentais para sociedade portuguesa.

É um dever cidadão, é nosso dever, o de melhorar a democracia, defender a democracia participativa e comunitária, pois vivem-se tempos de uma democracia e "baixa intensidade", de fraca qualidade, que não defende os cidadãos mas protege acerrimamente os mercados e o capital. Por isso, é preciso acrescentar valor à democracia e isso faz-se com cidadãos ativos e também com iniciativas que envolvam a sociedade civil.

E voltando a Camões dizer que também trazemos em nós aquele "fogo que arde sem se ver" mas que atiça aquele outro que ardendo se vê nos nossos atos e na nossa paixão de defesa da dignidade humana. Por isso não desistimos e continuamos a lutar.

Em baixo podemos ver as fotos das atividades entretanto realizadas:

1. Sessão de abertura do Festival dos Cravos de Abril, em que se distribuíram os prémios do Concurso de Fotografia, para além da visualização do filme "Os Índios da meia-praia", ao qual se seguiu um debate, com a presença do seu realizador, António da Cunha Teles, o que muito nos honrou.
 

2. Mesa- redonda sobre a "Crise académica de 1962-50 anos depois", com a participação de Isabel do Carmo, Zaluar Basílio, Francisca Soromenho e João Marecos.


3. Concerto de evocação e homenagem a Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso.

4. Arraial Popular de homenagem ao 25 de Abril.
1º. Dia
 

2º. Dia



Festival dos Cravos de Abril 2012


Cravos vermelhos


Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!

Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!

...Bem sei vosso segredo...Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: "Uma manhã, o sol,

O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga..."


Florbela Espanca

 


2º CONCURSO DE FOTOGRAFIA


REGULAMENTO

I – OBJECTO E SUAS FINALIDADES

No âmbito do Festival dos Cravos de Abril – 2012, a Associação Abril lança o 2.º Concurso de Fotografia, sob o título “Esta cidade que eu amo”, que tem por finalidades: i) fomentar um olhar observador e espírito crítico sobre o local onde reside ou que visita (cidade, vila, aldeia ou bairro); ii) incentivar à reflexão sobre o significado da apropriação do espaço envolvente pelos seres humanos; iii) promover o respeito, a proteção e a defesa do património; iv) contribuir para o desenvolvimento da democracia participativa e comunitária.

II – TEMA

1. No contexto do exercício de uma cidadania ativa, as fotografias devem enquadrar-se no tema proposto, podendo abordar vários aspetos da paisagem urbana, do ponto de vista do património construído, bem como do património humano.

III – PARTICIPAÇÃO

2. Podem apresentar-se a concurso candidatos maiores de 16 anos.

3. Não é permitida a participação dos membros dos corpos sociais da Associação Abril.

IV – ESPECIFICAÇÕES

4. As fotografias deverão ser em formato JPG ou JPEG, com a dimensão mínima de 10cm x 15cm, que corresponde a 1.772px x 1.181px e 300 DPIs.
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5. As fotografias deverão ser inéditas na apresentação a concurso.

6. As fotografias podem ser a cores ou a preto e branco.

7. Podem apresentar-se a concurso fotografias resultantes da montagem de outras fotografias da autoria do participante.

8. Cada fotografia deverá ter um título.

V – CONDIÇÕES DE CANDIDATURA

9. Cada participante poderá apresentar a concurso até três fotografias.

10. Cada fotografia deve ser apresentada em versão impressa (papel fotográfico) e em versão digital (no formato JPEG, em CD-ROM), juntamente com uma Ficha de Inscrição preenchida com letra de imprensa (maiúsculas) ou no computador.

11. Cada fotografia apresentada a concurso deverá ser acompanhada de um envelope, fechado e rotulado Concurso de Fotografia – “Esta cidade que eu amo”, no qual deverá incluir-se a Ficha de Inscrição (uma por fotografia), onde constem, conforme modelo de ficha em anexo, os dados seguintes: nome e idade do(a) participante; morada; contactos (telefónico e e-mail); título da fotografia. Conforme refere o n.º anterior, com a(s) fotografia(s) deverá incluir-se um CD-ROM com a versão digital da(s) mesma(s), tendo em vista a sua divulgação através da Internet.

12. De forma a facilitar o anonimato no processo de seleção, no verso das fotografias deverá registar-se apenas o título.

13. As fotografias deverão ser enviadas até ao dia 9 de Abril de 2012, impreterivelmente, (fazendo fé a data de carimbo dos CTT), para a morada da Associação Abril, conforme consta na Ficha de Inscrição.

VI – DIVULGAÇÃO

14. O Concurso e o respetivo Regulamento serão divulgados na Internet, através da página do Facebook e do Blogue da Associação Abril. A Ficha de Inscrição será disponibilizada através dos mesmos meios, podendo, também, ser enviada por correio eletrónico mediante solicitação.

VII – AVALIAÇÃO

15. A avaliação das fotografias será feita por um júri competente, nomeado pela Comissão Coordenadora da Associação Abril.

16. O júri procederá à avaliação tendo em conta os seguintes critérios:

 Adequação à temática
 Relevância da mensagem
 Criatividade
 Estética
 Qualidade técnica

VIII – PRÉMIOS

17. Serão premiadas as três melhores fotografias.

18. Os premiados receberão um troféu e ainda:

1.º prémio: estadia para duas pessoas, durante um fim de semana, num lugar de interesse patrimonial e histórico do país;

2.º prémio: voucher p/ frequência de workshop de fotografia orientado pelo fotógrafo José Gema;

3.º prémio: entrada para duas pessoas num espetáculo de teatro, música ou outro, à escolha do premiado de entre as ofertas existentes no momento.

Para cada prémio será estabelecido um montante limite pela Comissão Coordenadora da Associação Abril.

19. Poderão ser atribuídas menções honrosas.

20. Todos os participantes receberão certificados de participação.

21. O júri reserva-se o direito de não atribuição de qualquer um dos prémios.

22. De entre as fotografias premiadas o júri poderá selecionar uma ou mais para edição em cartaz pela entidade promotora do Concurso.

23. A entrega de prémios terá lugar numa sessão a agendar no âmbito do Festival dos Cravos de Abril.

IX – RESULTADOS

24. Os resultados serão divulgados através da Internet, na página do Facebook e no Blogue da Associação Abril, até ao dia 20 de Abril de 2012, com a publicação de todas as fotos em álbum específico.

25. Aos vencedores do concurso serão, ainda, comunicados os resultados através de contacto telefónico ou por correio eletrónico.

26. Para além da publicação das fotografias na Internet, a entidade promotora do concurso poderá organizar uma exposição, em data e local a definir, reservando-se o direito de selecionar as fotografias a incluir na mostra.

X – DISPOSIÇÕES FINAIS

27. A participação no Concurso implica a aceitação dos termos do presente Regulamento e a cedência, a título gratuito, dos direitos de autor à Associação Abril.

28. A Associação Abril reserva-se o direito de divulgar, editar, utilizar e reproduzir livremente as fotografias, sendo assegurada a divulgação da respetiva autoria.

29. Todos os casos omissos ou que suscitem dúvidas neste Regulamento serão decididos por deliberação do júri.

30. Das decisões do júri não haverá lugar a recurso.

31. Serão excluídas as candidaturas que não respeitem os pré-requisitos estabelecidos no presente concurso.

Nota: Para inscrever as fotos aceda ao link: Ficha de Inscrição no Concurso, e em seguida à esquerda, em Ficheiro, imprima para fazer preenchimento manual, ou faça o download para o Word para preenchimento informático, para envio a acompanhar o envelope da foto.

PATROCÍNIOS:



Festival dos Cravos de Abril 2011



O Arraial. Active ou desactive o som em cada comando. Abril foi cantado de muitas formas.


"Dias impossíveis de contar. A multidão misturada com os soldados e marinheiros. Cravos (onde nasceram tantos cravos?) nas espingardas e nas mãos de toda a gente..." Mário Dionísio, Passageiro Clandestino (inédito).

Abril é o mês de todas as esperanças para os portugueses. A Associação Abril apossando-se do seu nome e também do seu valor simbólico tem assumido na prática o que está definido na declaração de princípios e nos estatutos que referem como essencial da sua acção, o desenvolvimento social e cultural, a cidadania activa e o exercício da democracia participativa.

Nessa base estabelecemos para o biénio do nosso mandato promover actividades que vão ao encontro desses objectivos, pois consideramos que perante a realidade que nos cerca é absolutamente pertinente suscitar a reflexão, o debate, o esclarecimento, a aquisição de conhecimento e de saber. Consideramos que desse modo se pode actuar no combate ao conformismo e à apatia e fomentar a intervenção e participação cívicas no nosso quotidiano, no sentido de valorizar o papel da opinião pública como reforço e legitimação de uma democracia com mais qualidade. Ainda nesta perspectiva, elegemos como ideia-base do nosso mandato a "cultura do desassossego" e, foi nesse sentido, que para além de outras iniciativas que temos levado a cabo, resolvemos este ano meter mãos num projecto ambicioso que denominámos "Festival dos Cravos de Abril"que submetemos à apreciação da Autarquia e que foi bem acolhido.

Relembrando um pouco o passado, começámos a festejar o 25 de Abril na altura do seu 30.º aniversário, com um dia de Arraial, no Largo do Carmo, no intuito de trazer para a rua as pessoas, como nesse outro dia claro e limpo, como disse a poeta. Passámos depois a dois dias de comemoração e, este ano, avançámos para cinco dias e denominámos esta Festa de Festival, onde incluímos o Arraial, já quase uma "tradição" para os Lisboetas. Demos este salto significativo não só porque o devemos à História mas também por exigências da realidade. A incerteza dos tempos e de certas opções político-sociais que consideramos ser uma traição a muitas gerações de homens e mulheres, provocando o fim de muitas esperanças e a interrupção de muitos sonhos impelem-nos à acção. Nestes tempos de crise a vários níveis, não só política, como social, psicológica e mesmo de identidade, sentimos que têm sido afectados os alicerces políticos, intelectuais e morais e, por consequência, tem sido lesada a democracia no seu âmago. Por isso, o nosso sentimento de urgência em tentar mobilizar as consciências para esta questão primordial em que se torna imperioso resgatar os valores de Abril, evocar os ideais que nortearam a revolução, exigir que Abril não seja esquecido e se cumpra, não apenas Sempre, mas também Mais, na fórmula alterada de "25 de Abril, sempre!" e mais!, porque os tempos mudam e exigem novas qualidades!

Nesta perspectiva de recuperação da esperança e da vida tentámos nestes cinco dias, agitar as consciências e incentivar à acção, através de duas propostas: a primeira pelo Concurso de Fotografia sob o tema "Uma imagem contra..." e pelos Direitos Humanos e a segunda com o mote: "A palavra saiu à rua para..." exigir, lutar, dizer, cantar, defender, abolir, etc, etc., pelos Direitos Humanos. Foram cinco dias em que tentámos abranger diversas áreas de intervenção que concretizassem aqueles valores: usamos a imagem, através da fotografia e dos documentários, e usámos a palavra, pelas palestras, a música e o canto.


No primeiro dia, tivemos o lançamento do Festival numa sessão no Quartel do Carmo, lugar emblemático onde caiu a ditadura. Foi deveras curioso tomar consciência da mudança dos tempos ao recordar que em Abril de 1974, do lado de fora dos portões do quartel da GNR gritávamos e exigíamos a liberdade e, agora, passado 37 anos estávamos dentro do quartel a lembrar esse dia glorioso e a entender melhor o valor da democracia e também como ainda temos tanto caminho a percorrer. Falou-se de Direitos Humanos pela palavra de Alípio de Freitas e pela música e voz de Luísa Amaro e Rui Sequeira.

No segundo dia, teve lugar uma conferência, para a qual foram convidados duas personalidades muito especiais, os Profs. Boaventura Sousa Santos e Roque Amaro, que para além de currículos invejáveis, com vários artigos e livros publicados, são pessoas com um pensamento político - social contemporâneo, não alinhado pelas posições convencionais, com actividade cidadã e ligados aos movimentos sociais. Duas vozes com mensagens novas, com propostas de uma alternativa social e política e que rumam contra a corrente, perante o tsunami com que nos pretendem assolar, como sejam a inevitabilidade, os pontos de vista únicos e uniformes, veiculados através das vozes concordantes e submetidas da comunicação social. Lançámos-lhes o repto no sentido de nos apresentarem a sua perspectiva sobre a questão se haveria alguma alternativa diferente e se poderíamos pensar em novos paradigmas civilizacionais, perante as rupturas e desafios com que hoje nos deparamos, bem como a sua implicação directa com a qualidade da democracia, com a cidadania e com o modelo económico vigente. Para nossa satisfação eles disseram que sim. Foi uma sessão muito participada onde surgiram novos caminhos de esperança mas também de luta e de apelo à cidadania activa e participativa. Esta sessão foi gravada e esperamos poder divulgá-la, na íntegra, aqui neste espaço.

No terceiro e quarto dias tivemos a projecção de dois documentários sobre o antes do 25 de Abril. Diana Andringa e Susana Sousa Dias são duas realizadoras comprometidas, que se preocupam em não deixar apagar a memória e consideram, como nós, que é muito importante mostrar o que aconteceu antes do 25 de Abril para que não se repita. Nesses documentários, extremamente emocionantes e pedagógicos, percebemos como é preciso evocar os nossos fantasmas históricos para podermos avançar, apercebermo-nos da crueza e obscenidade da ditadura e reconhecemos o sacrifício e a luta daqueles homens e mulheres, que pagaram com a tortura ou a vida a defesa das suas convicções e ideais de liberdade. Com essas imagens de uma realidade concreta, nua e chocante entendemos melhor e pudemos por em paralelo o que foi a vida antes e o que veio depois, assim como o valor das conquistas de Abril. Mas também foram um aviso de que a História não dá nada como definitivamente adquirido, muito menos a Liberdade, e ainda um alerta e para o que falta realizar em democracia.

No quarto dia ainda tivemos actividades com crianças, incluídas na Feira do Livro de Lisboa. Através de uma história e de um jogo sobre o 25 de Abril quisemos, de uma forma lúdica e pedagógica, ensinar um pouco do ambiente histórico do antes e do depois do 25 de Abril. As crianças vibraram com as actividades mas notámos um desinteresse generalizado sobre o assunto, bem como falta de empenhamento e de envolvimento por parte dos responsáveis escolares. Concluímos que há muito a fazer neste campo.

Por fim, tivemos o 8.º Arraial comemorativo do 25 de Abril, durante dois dias, este ano no Jardim António Nobre, também conhecido por Jardim de S. Pedro de Alcântara, pois o Largo do Carmo ficou interdito devido a problemas de segurança. O novo espaço é magnífico, embora sem o valor simbólico do Largo do Carmo, pelo que para nós foi quase como se tudo acontecesse pela primeira vez. O tempo não ajudou mas não impediu que tivesse corrido bem. Sob a temática "a palavra saiu à rua para...", tivemos a participação activa de 32 Associações com as suas manifestações gastronómicas e culturais e também com um forte conteúdo político-social, e que aderiram a esta ideia e a exploraram de acordo com os seus objectivos específicos. Em palco, contámos com participantes individuais e bandas de música que percorreram estilos diversificados que foram desde a música ligeira e popular à música de intervenção, abrangendo territórios tão diferentes como a África, a Galiza, a Catalunha, Portugal, a Arábia, num multiculturalismo que muito nos honrou, e animaram aquele lindo espaço pela noite fora.

E nesses dois dias fizemos este chamamento, agora num novo lugar: venham cantar a Grândola num Jardim de poetas - venham do miradouro lançar sobre os telhados o grito da liberdade, nascida no dia 25 de Abril - venham espreitar o castelo e despedir cantigas como setas, reivindicando justiça social, solidariedade e ternura - venham mirar o Tejo e deixar o pensamento correr pelas águas à conquista da esperança - venham olhar as árvores que dão cor à cidade e cheirar o azul dos jacarandás que começam a despontar, o amarelo atrevido das ipuanas e os tapetes avermelhados das últimas flores das olaias - venham ver esta luz branca e serena de Lisboa e fazer ecoar o tambor da paz - venham mais cinco, tragam todos os amigos maiores que o pensamento e vejam em cada rosto igualdade!

Festival dos Cravos de Abril 2011






















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CONVITE/PROGRAMA

 
Convidam-se todas as amigas e amigos a participar nas actividades do programa do "Festival dos Cravos de Abril":

Dia 25 - Auditório do Quartel do Carmo - Abertura do Festival
12.00h

- Apresentação do Festival dos Cravos de Abril
- "Palavras pelos Direitos humanos" por Alípio de Freitas
- Entrega dos prémios do Concurso de Fotografia "Uma imagem contra..."
- Momento musical por Luisa Amaro/Rui Sequeira

Dia 26 - Paços do Concelho - Conferência
19.00h

"O mundo em mudança: perspectivas para um novo modelo económico e novos paradigmas civilizacionais"
Boaventura Sousa Santos : "Um outro mundo é possível: democratizar a democracia"
Rogério Roque Amaro: "Mobilizar a cidadania para uma nova economia, a favor de um mundo sustentável"
Poésis Msaho "Pensar Liberdade", por Elsa de Noronha

Dias 27 e 28 - Fundação Mário Soares - R. S. Bento 176 - Documentários
18.00h

dia 27 - "Natureza Morta" de Susana Sousa Dias
dia 28 - "Tarrafal, memórias do campo da morte lenta" de Diana Andringa

dia 28 - Feira do Livro de Lisboa - Actividades com crianças
14.30h

Uma história verdadeira -"A Telefonia de Abril"
Jogo da Glória Gigante sobre o 25 de Abril

Dias 29 e 30 - Jardim de S. Pedro de Alcântara
19.00h - 01.00h

Arraial comemorativo do 25 de Abril
"a palavra saiu à rua para lutar pelos Direitos Humanos".

Dia 30 - Palácio Valadares - Largo do Carmo, 32 - Documentários
14-30h -17.30h

"Natureza Morta" de Susana Sousa Dias
"Tarrafal, memórias do campo da morte lenta" de Diana Andringa


PROGRAMA DO ARRAIAL

"A palavra saiu à rua para lutar pelos Direitos Humanos".

Dia 29 de Abril - Sexta-Feira - Jardim de S. Pedro de Alcântara
19.00h - 01.00h

19.30h - Ritmos da resistência 20'
20.00h - Grupo cénico"Faz-me rir" 20'
20.30h - As mulheres do batuque "Finka pé"20'
21.00h - Dança com as "Wonderful Cova M"20'
21.30h - Momento de poesia com o grupo "Pétalas ao vento"10'
21.45h - Música de intervenção com José Gordilho 40'
22.30h - Hip, Hop pelos jovens da Escola da Cova da Moura 20'
22.55h - Música santomense com Tobias Vaiana 20'
23.30h - Hip , hop com Nos Nasi Omi Kita Mori Omi 20'
00.00h - Música africana com "Kretcheu", Kalú Moreira, Sotavento 4 e Aires Silva 60'
01.00h - Encerramento

Dia 30 de Abril - Sábado - Jardim de S. Pedro de Alcântara
19.00h - 01.00h

19.00h - Sons do Brasil 20'
19.30h - Dança com o grupo "Gestos"20'
20.00h - Teatro. memórias do 25 de Abril 60', pela Esc.Sec. Cacilhas-Tejo
21.05h - Música da Catalunha "Cançons republicanes" com Biel Majoral e Germans Mantorell 60'
22.10h - Poesia e dança árabes 20'
22.35h - Música angolana com Mr.Jack 30'
23.10h - Música galega com o duo SES Maria José Silvar e Tito Calvino 60'
00.15h - Música tradicional e de intervenção com o Grupo "Seiva "60'
01.00h - Encerramento

Viva o 25 de Abril, sempre!

CONCURSO DE FOTOGRAFIA

REGULAMENTO

I – OBJECTO E SUAS FINALIDADES
1. No âmbito do Festival dos Cravos de Abril – 2011, A Associação Abril lança o Concurso de Fotografia “Uma imagem contra…”, que tem por finalidades: fomentar um olhar crítico sobre a realidade através da fotografia; incentivar à reflexão sobre os valores que a revolução do 25 de Abril de 1974 proporcionou; promover o respeito pelos direitos humanos e contribuir para o desenvolvimento da democracia participativa e comunitária.
II – TEMA
2. No contexto do exercício de uma cidadania activa, as fotografias devem enquadrar-se na temática geral dos Direitos Humanos, abordando temas como a indiferença, a violência, a injustiça, a pobreza, a intolerância, entre outros.
III – PARTICIPAÇÃO
3. Podem concorrer jovens e adultos, sendo os trabalhos avaliados segundo dois escalões: - 1.º escalão: dos 15 aos 25 anos; - 2.º escalão: a partir dos 26 anos (sem limite de idade). 4. É vedada a participação dos membros dos corpos sociais da Associação Abril.
IV – ESPECIFICAÇÕES
5. As fotografias devem apresentar as seguintes especificações:
i) Tamanho: padrão 20x25 cm ou 20x30 cm, com ou sem margem ii) Resolução mínima de 3,2 mega pixéis no caso de captura digital
6. As fotografias deverão ser inéditas, na apresentação a concurso. 7. As fotografias podem ser a cores ou a preto e branco. 8. Podem apresentar-se a concurso fotografias que resultem de montagem de outras fotografias da autoria dos participantes. 9. Cada fotografia deverá ter um título.
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V – CONDIÇÕES DE CANDIDATURA . 10. Cada participante poderá apresentar a concurso até três fotografias. 11. Cada fotografia deve ser apresentada em versão impressa (papel fotográfico) e em versão digital (no formato JPEG, em CD-ROM), juntamente com uma Ficha de Inscrição preenchida com letra de imprensa (maiúsculas) ou no computador. 12. Cada fotografia apresentada a concurso deverá ser acompanhada de um envelope, fechado e rotulado Concurso de Fotografia – “Uma Imagem contra…”, onde deverá incluir-se a Ficha de Inscrição (uma por fotografia), onde constem, conforme modelo de ficha publicada em anexo, os dados seguintes: Nome e idade do(a) participante; Morada; Contactos (telefónico e e-mail); Título da fotografia. Junto com as fotografias, deverá incluir-se no pacote de envio um CD-ROM com a versão digital da(s) fotografia(s) apresentada(s) a concurso, tendo em vista a divulgação das mesmas através da Internet. 13. De forma a garantir o anonimato no processo de selecção, no verso das fotografias deverá registar-se apenas o título e o escalão etário (ou a idade) do participante. 14. As fotografias deverão ser enviadas até ao dia 21 de Março de 2011 (fazendo fé a data de carimbo dos CTT), para a morada da Associação Abril, conforme consta na Ficha de Inscrição, sendo excluídas aquelas que forem remetidas fora de prazo.
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VI – DIVULGAÇÃO
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15. O Concurso e o respectivo Regulamento serão divulgados na Internet, através da página do Facebook e do Blogue da Associação Abril. A Ficha de Inscrição será disponibilizada através dos mesmos meios, podendo, também, ser enviada por correio electrónico mediante solicitação.
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VII – AVALIAÇÃO
16. A avaliação das fotografias será feita por um júri competente, nomeado pela Direcção da Associação Abril. 17. O júri procederá à avaliação tendo em conta os seguintes critérios:
- Adequação à temática - Relevância da mensagem - Criatividade - Estética - Qualidade técnica
VIII – PRÉMIOS
18. Serão premiadas as três melhores fotografias em cada escalão. 19. Os prémios a atribuir são de carácter simbólico; todos os concorrentes receberão certificados de participação. 20. De entre as fotografias premiadas o júri poderá seleccionar uma ou mais para edição em cartaz pela entidade promotora do Concurso. 21. A entrega de prémios terá lugar numa sessão a agendar no âmbito do Festival do Cravos de Abril.
IX – RESULTADOS
22. Os resultados serão divulgados através da Internet, no Facebook e no Blogue da Associação Abril, até ao dia 15 de Abril, com a publicação de todas as fotos em álbum específico. 23. Aos vencedores do concurso serão comunicados os resultados através de contacto telefónico ou por correio electrónico. 24. Para além da publicação das fotografias na Internet, a entidade promotora do Concurso poderá organizar uma exposição pública, em data e local a definir, reservando-se o direito de seleccionar as fotografias a incluir na mostra.
X – DISPOSIÇÕES FINAIS 25. A participação no Concurso implica a aceitação dos termos do presente Regulamento e a cedência, a título gratuito, dos direitos de autor à Associação Abril. 26. A Associação Abril reserva-se o direito de divulgar, editar, utilizar e reproduzir livremente as fotografias, sendo assegurada a divulgação da respectiva autoria. 27. Todos os casos omissos ou que suscitem dúvidas neste Regulamento serão decididos por deliberação do júri. 28. Das decisões do júri não haverá lugar a recurso. 29. Serão excluídas as candidaturas que não respeitem os pré-requisitos estabelecidos no presente Concurso. Nota: Para inscrever as fotos aceda ao link: Ficha de Inscrição no Concurso, e em seguida à esquerda, em File, printe ou faça o download para envio a acompanhar o envelope da foto.
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Arraial comemorativo do 25 de Abril

"Por uma cultura da paz"
Dois dias, 23 e 24, dedicados a comemorar Abril: no primeiro dia, à tarde, as crianças, aprenderam sobre significado e a importância de duas datas da história de Portugal, através do Jogo da Glória gigante, em que responderam a questões sobre o 25 de Abril, e de uma peça de teatro interactiva sobre a República. No final, expressaram numa pintura colectiva, as ideias de liberdade e de paz. À noite, nos dois dias, houve Festa animada, mas também reflexão sobre a temática proposta e sobre os valores fundamentais recuperados pela revolução de Abril, expressa na decoração do recinto, nas mensagens das várias associações e nos espectáculos em palco.
Duas razões nos moveram para organizarmos o Arraial, sob o signo de sim à Paz e não à guerra, tema proposto por uma organização participante -PAGAN- e alargada por nós para o lema mais global "por uma cultura da paz". A primeira razão, porque o mundo está em evidente convulsão social, a vários níveis, e a segunda, porque, termina em 2010 a década a que a Unesco dedicou a este tema, que se iniciou em 2000, com lançamento do ano internacional da cultura da paz.
Achámos, pois, pertinente, a jeito de balanço, reflectir sobre o que aconteceu no mundo, nesta década, em relação à paz e à guerra. Não deixa de ser trágico confrontar as boas intenções com os factos reais e verificar a situação de guerra que se vive hoje no mundo. Guerra em muitos sentidos, onde se inserem não apenas os conflitos armados mas também a violência nas suas variadas formas. Verifica-se, assim, que desde 1991, as guerras não têm parado: guerras na Jugoslávia, Palestina, Somália, Afeganistão-Paquistão, Iraque, Líbano, Gaza... São guerras com ocupação militar prolongada; com um enorme grau de destruição de pessoas e bens; com violências inomináveis sobre as populações; com o uso indiscriminado de armas proibidas e de destruição massiva; com incontáveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade; com violações dos direitos humanos e do direito internacional; com flagrante desrespeito e progressiva marginalização da ONU e da Carta das Nações Unidas. E não ficaremos por aqui. Infelizmente novas ameaças de conflitos se avizinham... talvez Irão, Coreia do Norte, Iémen, Geórgia, Somália ...
Este recurso tão cruel à guerra e à violência significa esquecer tudo o que nós, enquanto seres humanos, aprendemos e conquistamos durante muitos séculos. Significa ignorar avanços como a abolição da escravatura; a abolição da pena de morte na maioria dos países; o derrube de muitas ditaduras; a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com o reconhecimento de que todas as raças, religiões e culturas têm o mesmo valor e enriquecem o património humano; o direito universal à Educação; a justiça que garante às mulheres igualdade de direitos e o exercício pleno de suas capacidades; os direitos dos trabalhadores por melhores condições profissionais; o esforço desenvolvidos pela protecção da natureza, pelos direitos da terra, da "pacha mama".
É pois necessário mudar de paradigma. Transformar os valores de uma cultura de violência e de guerra, nos valores de uma cultura de não-violência e de paz.
A cultura da paz é um processo contínuo de ensino e de aprendizagem, de desenvolvimento pessoal e social e de prática no dia-a-dia familiar, comunitário e nacional. Também não é um processo passivo, e a humanidade deve saber geri-la, esforçar-se por ela e promovê-la.
A cultura da paz insere-se no respeito pelos direitos humanos e "constitui terreno fértil para que se possam assegurar os valores fundamentais da vida democrática". Insere-se na construção solidária de uma nova sociedade: no respeito pela diversidade, pela pluralidade, pela igualdade, pela justiça social, pelo cuidado e protecção de todos os seres vivos, pela responsabilidade individual e colectiva e pela solidariedade universal.
A cultura da paz é um desafio, urgente, à escala planetária e foi também o desafio que nós lançámos neste Arraial comemorativo dos 36 anos do 25 de Abril.
Por isso, desafiámo-nos e desafiámos-vos a conjugar o signo "por uma cultura da paz" com o lema da "cultura do desassossego", numa simbiose que obriga a agir e estimula o quebrar com a apatia, a resignação, a inércia e o comodismo. Convidámos-vos a unir as mãos ou a arregaçar as mangas e a sair do vosso “porto seguro” para partir na direcção do “porto futuro”, alcançando ancoradouros aparentemente inacessíveis.
Não desejamos que este desafio seja encarado como uma utopia ou um sonho. Pelo contrário, deve ser visto como objectivo primordial da humanidade. E também porque acreditamos, com Margareth Mead, que mesmo um pequeno grupo, mas que pense e esteja atento, seja comprometido e sensível com o que o rodeia, pode mudar o mundo, desde que navegue orientado pelas estrelas do querer e da solidariedade.
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Arraial do 25 de Abril 2010

25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

De entre as iniciativas e actividades que a Associação Abril organiza regularmente, destaca-se o Arraial do 25 de Abril, que desde a celebração do 30º aniversário da Revolução dos Cravos se realiza no Largo do Carmo, local emblemático e simbólico da adesão do povo ao Movimento dos Capitães que nos devolveram a liberdade, suprimida durante décadas. Esta Festa, sem cariz partidário nem institucional, tem como primeiro objectivo não deixar apagar a memória de um processo histórico profundamente marcante na sociedade portuguesa. Movem-nos, assim, propósitos de carácter educativo e pedagógico, pois, apesar da sua natureza lúdica, esta é uma oportunidade de ensinar e aprender cidadania e de chamar a atenção das novas gerações para os ideais defendidos pela revolução de Abril. Neste contexto, por iniciativa da Associação Abril, a participação de várias organizações cívicas e culturais e com a colaboração, entre outras, da Câmara Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia do Sacramento, da Associação de Turismo de Lisboa e da Guarda Nacional Republicana, vai comemorar-se pelo 7º ano consecutivo o 25 de Abril, com a realização do Arraial no Largo do Carmo. O projecto do Arraial para 2010 vai ter um formato semelhante aos anteriores, embora este ano o estendamos a dois dias de festa, dado que a data coincide com um fim-de-semana e, também, porque queremos, de algum modo, alargar o seu âmbito e estabelecer uma relação, em termos históricos, com o centenário da implantação da República que este ano se comemora.

É uma Festa cívica, com um formato misto entre o Arraial e um Espaço livre na cidade à cultura e à informação. É realizada por cidadãos para cidadãos, aberta a todos os que nela queiram participar, sem cariz partidário nem institucional mas com profundo sentido político. Constitui uma forma de praticar cidadania e de valorizar o exercício da democracia participativa e de intervenção, na defesa dos valores da justiça social e da liberdade.

Assim, ao longo do dia 23 de Abril, o programa dirige-se às escolas, com actividades que dêem a conhecer o significado destas datas (pequenos debates, exposições, teatro, pintura colectiva, jogos.) e, à noite, nos dias 23 e 24 privilegiaremos a participação das Associações, com a sua intervenção cívica e as suas manifestações culturais que vão desde a música, ao teatro, à dança e gastronomia e ainda a participação de artistas amadores e profissionais.

Largo do Carmo, “Largo da Esperança”!

. O Arraial do 25 de Abril aconteceu mais uma vez no Largo do Carmo. Pelo 6.º ano consecutivo comemorámos essa data tão significativa neste lugar emblemático que o povo ocupou e que foi palco de momentos marcantes para a história de Portugal. Lembrando o 25 de Abril de 74, voltámos a ocupar este Largo com uma Festa da Liberdade que teve a participação de várias Associações e o contributo de pessoas que generosamente ofereceram o seu talento e ajudaram a manter viva a memória de Abril.
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No Largo da esperança cantámos a "Grandola, terra da fraternidade", e sentimos que todos estamos de parabéns porque Abril aconteceu, apesar de passados 35 anos ainda esperarmos que Abril se cumpra, plenamente, numa sociedade mais justa e solidária.
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A Associação Abril e todas as entidades participantes no Arraial do 25 de Abril têm a honra de convidar V.Exa. para esta Festa da cidadania que terá lugar no Largo do Carmo, no dia 24 de Abril, das 19,00h às 02,00h.

À meia-noite de 24 de Abril, Venha cantar a “Grândola, Vila Morena” ao Largo do Carmo

O Arraial do 25 de Abril parte da iniciativa da Associação ABRIL, com a colaboração e participação de várias Associações e Grupos de carácter cívico e cultural. Realiza-se na noite de 24 de Abril, no Largo do Carmo, entre as 19.00h e as 02.00h. Pretende-se que este evento se torne num momento de convívio de grande significado de intervenção cívica dos cidadãos, através da mostra das actividades desenvolvidas pelas diversas entidades, nomeadamente a nível de artesanato, música, dança, teatro e gastronomia. Deseja-se ainda que esta Festa celebre os ideais do 25 de Abril para que estes permaneçam vivos no espírito e na esperança de todos nós.

  • 19.00h - Pedro Branco (Canções do pai pelo filho);
  • 19.20h - Corelis – (Coro do Tribunal da Relação de Lisboa);
  • 19.40h - Forró Maria Bunita e os Cabras, (perfomance musical);
  • 20.00h - Cabo Gang – (Música Hip-Hop);
  • 20.15h - Educa(nta)re – (Coro do Ministério da Educação);
  • 20.35h - Rui Sequeira e Convidados - (Canções de Abril);
  • 20.55h - Finka pé – (Mulheres do batuque);
  • 21.15hRefugiActo – (Sketch “Nunca me canso da Liberdade”);
  • 21.35h - Tino Flores e Banda;
  • 22.00h – Momento de poesia com Elsa Noronha;
  • 22.15h - A.J.A. NORTE – (Canções de intervenlção);
  • 23.15h - O Arraial contará, este ano, entre outras, com uma intervenção para-teatral inédita do grupo “O Bando”, subordinada à temática do 25 de Abril, baseada num texto de Manuel António Pina e composição musical do Maestro Jorge Salgueiro;
  • 24.00h – “Grandola, vila morena” Viva o 25 de Abril, sempre!;
  • 00.15hRappers da Kova M;
  • 00.30h – Dança com as Wonderful Kova-M e Baby girls;
  • 01.00h – Encerramento com um militar de Abril.

Este evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Associação de Turismo de Lisboa, da Comunicasom, da Associação 25 de Abril e do Centro de Documentação 25de Abril da Universidade de Coimbra. A Presidente da Comissão Coordenadora da Associação Abril Maria Guadalupe Magalhães Informações: http://associabril.blogspot.com/

Contactos: tm - 966 785 119 - guadalupe.magalhaes@gmail.com

.........................965 214 312 - margaridavieira@netcabo.pt

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