Da Corrupção À Crise. Que Fazer? II



A sessão com Paulo de Morais na SPA estava com sala repleta e foi muitíssimo participada. Tivemos dificuldade em terminar dentro do horário previsto pois eram muitas as questões e muita a informação que Paulo de Morais tinha para partilhar com quem o queria ouvir. Foi para nós uma honra e um orgulho ter connosco este homem desassombrado que exerce uma cidadania activa de denúncia da corrupção... com todos os nomes! É a sua forma de lutar por um país mais civilizado, justo e solidário. São pessoas como esta que nos dão muita esperança, não apenas uma esperança simbólica mas aquela que contém em si componentes como a coragem, a confiança, o comprometimento, a determinação e, acima de tudo, a indignação e recusa do medo, valores que nos impelem à acção e à mudança do estado a que chegámos.
Aconselhamos vivamente a leitura do seu livro.


 

DA CORRUPÇÃO À CRISE. Que fazer?



CONVITE

Amigas e amigos:


Vive-se um tempo de angústia e desesperança pela visível e acelerada deterioração da qualidade da democracia. Vive-se uma crise sem prazo, num país acossado pela razão neoliberal que compromete as conquistas socias e identitárias das ultimas décadas e do sonho coletivo despertado por um cravo de Abril.

Cumpre procurar soluções, pensar e fazer política honesta, elaborar mecanismos de reação e mobilização da sociedade civil. É preciso empurrar de baixo para cima, dar respostas coletivas assentes na auto-organização, na radicalização democrática e nos valores da cidadania.

Não podemos nem devemos esperar mais!

À semelhança do que já organizámos sob a legenda Radiografias do nosso tempo, propomos para Setembro, Outubro e Novembro. uma sessão por mês, na Sociedade Portuguesa de Autores, às 18h30, subordinadas ao tema global "O E(e)stado a que chegámos".

Temos a convicção que desta forma a Associação Abril poderá contribuir para suscitar o debate, lutar contra a indiferença e a apatia e catalisar a autoestima, a ação e a coragem em todos nós.

Não podemos nem devemos esperar mais!


23 de Setembro

Da corrupção à crise, com Paulo de Morais


28 de Outubro

O papel do Estado no estado a que chegámos, com Raquel Varela


25 de Novembro

a designar


Gostaríamos muito de contar com a vossa presença.


Saudações associativas e um abraço com as esperanças de Abril.


Evento no Facebook:









Zeca - Cantor da Utopia e dos Valores

Esta iniciativa foi uma actividade conjunta com a AJA, núcleo de Lisboa, sediada provisoriamente na nossa sede e com a qual tivemos muito gosto em trabalhar. 


Devo, contudo, salientar que para nós, enquanto Associação Abril, é sempre uma grande honra organizar  ou coorganizar algo que tenha a ver com José Afonso. Para lá da nossa paixão pela sua música, temos a enorme admiração pelo seu exemplo cívico, pelo inconformismo, pela sua defesa da dignidade, pela sua  independência de espírito. Grande respeito pelo ser humano, pelo defensor de causas a que aliou à grandeza da sua música um lirismo tocante, pleno de ternura e emoção. Com a sua postura cidadã e com a sua arte, na linha dos trovadores, denunciadores da injustiça social, da pobreza, das desigualdades de género, mas também arautos da liberdade, dos sonhos e da utopia, coloca-se a velha questão do poder da arte e da sua (in)capacidade de melhorar o mundo. E as questões são muitas: Qual o poder transformador da arte, a sua relação com a política, com o social? Pode e deve a arte ser revolução, resistência, reinvenção do mundo, esperança e futuro da humanidade? Ou deve a arte habitar um universo próprio, da “arte pela arte”, desligada dos contextos político-sociais em que acontece? A arte é silêncio ou grito? É indiferença ou vigilância? Quanto a nós, para Zeca Afonso, a arte, a sua música foi sempre vigilante, atenta ao mundo desigual que o rodeava, fruto de uma generosidade, compreensão e compaixão profundas pelos seus iguais, sem nunca perder a qualidade, o lirismo, a emoção, a mestria. Ao lado de grandes músicas de intervenção politica e social, surge a voz ingénua do povo, o canto tradicional, a ternura emotiva, o valor dos sentimentos, do amor pela vida que corre. 


Foi sobre tudo isto e muito, muito  mais, sobre “ Zeca Afonso, cantor da Utopia e dos Valores”, que decorreu a sessão, na SPA,  brilhantemente conduzida pelo musicólogo Rui Vieira Nery que nos levou, através de apontamentos musicais pertinentes, a olhar mais uma vez o homem, o músico, o ser humano que um dia habitou o nosso espaço e nele deixou para sempre a marca indelével da sua arte e do seu exemplo. Obrigada Zeca, obrigada Rui Vieira Nery.