O papel do Estado no estado a que chegámos.


O Auditório da SPA encheu-se para ouvir Raquel Varela, professora, investigadora social, que expôs de forma brilhante a sua visão do papel do Estado no estado a que chegámos, tanto a nível político como social. A organização destes debates tem como objectivo contribuir não só para o aprofundar de conhecimentos e informação de temas que nos preocupam, mas também ajudar a despertar a indignação, num país onde a reflexão aberta e participada é muito escassa e o debate político se esgota nos partidos. Neste momento colocam-se vários problemas à chamada "geração grisalha" que de novo sente necessidade de luta, indo buscar forças aos velhos tempos e à sua consciência cívica. No entanto, espera que as novas gerações assumam a liderança e saiam do seu casulo superprotegido e venham defender, com eles, os valores da democracia participativa e da justiça social. Os jovens têm que sair da sua zona de conforto e reivindicar a mudança deste modelo social e deste futuro, com que se deparam. De outro modo será uma geração sem futuro.Mas felizmente temos bons exemplos e um deles é o de Raquel Varela que desde muito jovem se colocou do lado certo da vida e pôs a sua combatividade e inteligência ao serviço dos mais desfavorecidos, dos trabalhadores, por uma sociedade mais justa e solidária. Foi com muito orgulho e satisfação que a ouvimos na SPA.
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Convite



Conferência/debate com Raquel Varela que vem falar-nos sobre "O papel do Estado no estado a que chegámos", incluído no Ciclo "Radiografias do nosso tempo", sob o tema global "O E(e)stado a que chegámos".

Dia 28 de Outubro, às 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores
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«Sucessivos governos argumentam que se flexibiliza o mercado de trabalho para combater o desemprego. Mas, chegámos a uma conclusão, neste estudo, inequívoca: maior flexibilização do mercado de trabalho significa, olhando para as últimas 3 décadas, mais desemprego. Porque a precariedade e o desemprego são duas faces da mesma moeda. E mais desemprego significa mais pobreza e menos descontos para a segurança social. Num parágrafo, é mais ou menos este o "estado a que chegámos"».
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Este Ciclo de conferências pretende encarar e discutir abertamente o momento histórico em que vivemos. É um momento difícil que exige de nós respostas credíveis para os problemas que temos de enfrentar. Respostas credíveis e definitivas, o que nem sempre é possível, porque todas elas terão de se basear em conceitos de classe. As sociedades do mundo em que vivemos não são homogéneas, nelas ocorrem contradições de todo o tipo, superáveis umas, insuperáveis outras. "Radiografias do nosso tempo" deseja ser apenas um ciclo de debates e um espaço de encontro e memória, onde alguns dos problemas com que nos enfrentamos sejam postos a nu e discutidos diante da nossa consciência de cidadãos. A sociedade portuguesa, hoje mais do que nunca, desinformada pela comunicação social, precisa ouvir outras opiniões, sobretudo, as que se escudam no rigor científico e na independência de critérios sociais e políticos.