Contra o Cerco de Gaza

A Associação Abril convida todos os associados e amigos a participarem na concentração de solidariedade para com o povo Palestiniano. O Comité de Solidariedade com a Palestina junta-se à iniciativa de um grupo de cidadãos de assinalar os dois anos do mortífero ataque a Gaza, manifestando a sua solidariedade com o povo da Palestina e o seu repúdio pelo apoio do governo português à ocupação e ao apartheid israelita
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Dia 27 de Dezembro, 18h30 Concentração no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio), em Lisboa

Um rosto de Natal

Caiu sobre o país uma cortina de silêncio a voz distingue o homem mas há homens que não querem que os demais se elevem sobre os animais e o que aos outros falta têm eles a mais no dia de natal eu caminhava e vi que em certo rosto havia a paz que não havia era na multidão o rosto da justiça um rosto que chegava até junto de mim de nicarágua um rosto que me vinha de qualquer das indochinas num mundo onde o homem é um lobo para o homem e o brilho dos olhos o embacia a água Caminhava no dia de natal e entre muitos ombros eu pensava em quanto homem morreu por um deus que nasceu A minha oração fora a leitura do jornal e por ele soubera que o deus que cria consentia em seu dia o terramoto de manágua e que sobre os escombros inda havia as ornamentações da quadra de natal Olhava aquele rosto e nesse rosto via a gente do dinheiro que fugia em aviões fretados e os pés gretados de homens humilhados de pé sobre os seus pés se ainda tinham pés ao longo de desertos descampados Morrera nesse rosto toda uma cidade talvez pra que às mulheres de ministros e banqueiros se permita exercitar melhor a caridade A aparente paz que nesse rosto havia como que prometia a paz da indochina a paz na alma Eu caminhava e como que dizia àquele homem de guerra oculta pela calma: se cais pela justiça alguém pela justiça há-se erguer-se no sítio exacto onde caíste e há-de levar mais longe o incontido lume visível nesse teu olhar molhado e triste Não temas nem sequer o não poder falar porque fala por ti o teu olhar Olhei mais uma vez aquele rosto era natal é certo que o silêncio entristecia mas não fazia mal pensei pois me bastara olhar tal rosto para ver que alguém nascia Ruy Belo - Todos os Poemas II. Lisboa: Assírio Alvim, 2004, pág. 1776 e 177 .

Na Nova Sede.

Foi bonito. Confraternizou-se, fez-se alegria e reflectiu-se. Muito obrigada, amigas e amigos, por terem estado connosco nesse dia de festa. Obrigada a todas as representações das várias Associações presentes.
Transcrevo um pequeno texto que na altura li, pois devido à gripe que ainda carregava desde a China, tive receio de esquecer algo que gostaria de mencionar...
"Na viagem longa, difícil e febril até Lisboa tive bastante tempo para pensar, pensar neste nosso planeta, nesta nossa terra tão cheia de contradições, em problemáticas que levam a tantos recuos e também a tantos avanços! Até me convenci que mesmo quando se recua, se avança sempre em algum sentido... (talvez fosse da febre!) e a Abril não me saía da cabeça. Pensei que esta viagem da Abril, de quase 25 anos desde a Rua de S. Pedro da Alcântara para aqui, para a Rua Castilho, deve ser vista como algo de positivo, embora no início nos parecesse bastante terrível. Depois de uma espécie de pânico, da expressão de emoções que traduziam memórias guardadas em gavetas de saudade e de alguma nostalgia, foram dominantes as memórias guardadas como boas experiências, como conhecimento, como vida. Enfim, fomos à luta!
Tivemos sorte. Logo vários amigos acorreram a oferecer abrigo, um colo acolhedor, uma palavra de conforto. De entre outros e vários a quem agradecemos, devemos salientar e agradecer à BASEFUT, em especial à Manuela Varela que disponibilizou uma sala, à Casa do Brasil de Lisboa e seus Directores que também nos ofereceram uma sala, e, por último, agradecer ao CRC, onde acabámos por ficar, nas pessoas do Dr. Guilherme de Oliveira Martins, da Cristina Clímaco e do Germano Cleto, pela sua contribuição e empenhamento em nos proporcionar este espaço. Também agradecer a Vitória Vaz Pato que estabeleceu um primeiro contacto com o CRC, bem como à Dra. Manuela Silva.
Neste contexto, houve urgência em ganhar coragem para a mudança e para os novos desafios, fugindo da tentação de baixar os braços, porque é sempre mais fácil sucumbir ao desânimo e à inacção. Sabemos como é difícil lutar pela felicidade, como dá trabalho regressar a um novo quotidiano e pensar como receber os amigos com a dignidade que merecem. Mas juntos vencemos e juntos reunimos a força necessária e o alento que nos deu energia para continuar.
Para além do mais, devíamos isso aos sócios fundadores, que aqui queremos lembrar em jeito de homenagem singela, e também agradecer a presença de todos, na pessoa de José Vaz Pato. Ele com outros e outras sonharam, há 25 anos, com uma Associação que pudesse ser como que um observatório do percurso da democracia que tinha nascido recentemente. Não podíamos defraudar esses companheiros de uma aventura tão expressiva, plena de sonhos criativos, programadores de tantas viagens e descobertas pelos caminhos da democracia participativa, lema maior desta Associação. Por isso, o respeito pela memória que é de todos, minha também, de toda a gente que amou e ama a Abril e também amou e continua a amar Abril, esse momento mágico, com a esperança dos jovens, a persistência dos menos jovens e a paciência e sabedoria dos velhos. Um pedaço das suas vidas será sempre da Abril e assim estarão connosco em todas as actividades, com o reconhecimento e a amizade que merecem por nos terem ensinado a humildade e a fé em nós mesmos. O sonho era e continua a ser grande e a coragem e a determinação também, inspirados no pensamento político de MLP, nessa ideia maior mas não utópica, de mudança e transformação. De mudar o mundo e de respeitar o meio ambiente, de mudar o paradigma de desenvolvimento, baseados na democracia participativa, em que cada um é dono do seu destino e lhe compete mudar de vida, mudando a vida, através do exercício de uma cidadania activa e de compromisso.
Não queria deixar de referir que vivemos tempos em que concluímos, um pouco amargamente, que falta qualidade à democracia. A democracia é jovem, imperfeita, incompleta, porque ainda não dá espaço à autonomia e dignidade das pessoas, à justiça social, ao respeito pela alteridade do outro. Há ainda e sempre a necessidade de garantir a soberania do direito sobre o poder, ainda impera a corrupção quase legalizada, a irresponsabilidade dos dirigentes, a perversão dos valores e a falta de participação individual activa e de compromisso perante esta realidade.
Por isso gostaria de evocar as palavras de Guilherme de Oliveira Martins, nosso anfitrião, que são o corolário deste tema ao dizer:"daí que a prevenção da democracia deva basear-se numa cidadania activa. E o Direito é o mediador entre as liberdades e a organização, pondo no centro os acontecimentos, o compromisso das pessoas e a dignidade humana".
Dentro do nosso plano da actividades para este mandato propusemo-nos trabalhar questões relacionadas com "a cultura do desassossego". Temos desenvolvido actividades que questionam a realidade e confrontámos a apatia e a inércia. Neste espaço novo vamos prosseguir. Começámos aqui hoje. Porque consideramos que a cultura deve ser globalizada e que o acesso à cultura é um direito fundamental do ser humano. Por isso, propomos este contributo de confraternização e de convívio, porque sentimos que viver em conjunto faz do passado e do futuro, um presente sempre reinventado, como o de hoje, quando temos aqui tantas pessoas que quiseram partilhar connosco bons momentos em que a arte e a solidariedade imperam, com a presença destes amigos especiais que vão abrilhantar a nossa festa. O nosso agradecimento carinhoso a, Luanda Cozetti, Celina da Piedade, José Fanha e Norton Daiello . "

Inauguração da nova sede

Convite
A Comissão Coordenadora da Associação Abril tem a honra de convidar todas as amigas e todos os amigos para a inauguração da sua nova sede na Rua Castilho, nº 61 - 2º dto, que terá lugar no dia 29 de Novembro, às 19.00h. O convívio será abrilhantado com um momento de poesia com José Fanha e apontamentos musicais com os "Couple Coffee" e Luisa Amaro*. Será servido um Porto de honra. Contamos convosco! As melhores saudações associativas. Maria Guadalupe Magalhães Portelinha (Pressidente da CCA)
*A confirmar. Nota : Rão Kyao está no estrangeiro e não chegaria a tempo. Contaremos com ele noutra ocasião.

Um outro mundo é possível?

CONVITE
Amigos e amigas.
Com nova data, dia 15 de Julho, às 19.00h, esperamos encontrar-vos na sede da Associação Abril, para um debate com a economista Manuela Silva sobre a crise económico-financeira. Haverá espaço para a interpelação e o questionamento sobre questões relacionados com este tema e sobre o papel dos cidadãos e o poder da opinião pública no contexto da crise mundial que atravessamos.Vamos trocar ideias, reflectir e partilhar expectativas. Um abraço amigo.
Guadalupe Magalhães

Um cravo vermelho por José Saramago

A Associação Abril manifesta profundo pesar e enorme consternação pelo falecimento de José Saramago. O mundo ficou mais pobre e Portugal também mais triste pois perdeu uma voz defensora da liberdade e dos direitos humanos, uma voz onde as convicções, a arte e o talento se associaram na denúncia das injustiças, de forma muitas vezes emotiva, outras cáustica, mas sempre profundamente sincera e construtiva.
À família, a expressão das nossas sinceras condolências e a nossa solidariedade neste momento doloroso. Com emoção oferecemos a José Saramago o cravo vermelho da nossa esperança.

Um outro mundo é possível?

CONVITE
Amigas e amigos: No plano de actividades da Abril salientámos o propósito de desenvolver o lema "a cultura do desassossego", abordando questões da actualidade e da cidadania, o que temos realizado durante este ano. Desta vez queremos abordar o tema "Um outro mundo é possível?", enorme desafio no contexto actual da presente crise económico-financeira que abala o mundo ocidental e em particular Portugal. Assim, em colaboração com a Sangha Rimay Lusófona convidámos a professora Manuela Silva, grande especialista nesta matéria, para um debate sobre o momento que se vive em Portugal e no mundo e sobre o papel dos cidadãos numa possível e necessária mudança de modelo político, económico e social. O encontro realiza-se no dia 29 de Junho, terça feira, às 19.00h na sede da Associação Abril, Rua de São Pedro de Alcântara, n.º 63, 1ºDt (junto da Igreja da Misericórdia e em frente ao jardim de São Pedro de Alcântara - metro Chiado, elevador da Glória, bus 58). Esperamos que vos agrade a nossa proposta e que tragam outros amigos. Um abraço de amizade.
Guadalupe Magalhães Portelinha Maria Vitória Vaz Pato

Convite

"O QUE FAZ FALTA"
No nosso plano de actividades salientámos o propósito de desenvolver o lema "a cultura do desassossego", abordando questões da actualidade e da cidadania.
Desta vez, vimos convidar-vos para mais uma conversa de fim de tarde e para uma peça de teatro musical sobre um tema que a todos nos toca, não só numa perspectiva individual mas também enquanto cidadãos atentos, inseridos numa comunidade. Cada um de nós sente e sabe o que lhe faz falta e também o que falta na sociedade em que vivemos.
Buscando inspiração no tema do Musical, em cena no Villaret, "O que faz falta", vamos entrelaçar várias expressões, todas elas para desassossegar: a palavra, a música, o teatro e o convívio. Vamos ligar Lope de Vega a problemáticas actuais, com música de Chico Buarque e a matriz de Zeca Afonso, que titula toda actividade.
. Esperamos que vos agrade a nossa proposta e que tragam outros amigos.
Um abraço de amizade.
Guadalupe Magalhães Portelinha (Presidente da Comissão Coordenadora da Associação Abril)
Programa:
"O QUE FAZ FALTA"
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Dia 13 de Maio, 19.00h,Teatro Villaret:
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· 19.00h-20.00h-Debate com José Manuel Pureza e Carlos Fragateiro. · 20.00h-20.10h-Momento musical com canções de Zeca Afonso. · 20.15h-Lanche/jantar/convívio. · 21.30h-Teatro Musical "O que faz falta", a partir da obra de Lope de Vega "Fuenteovejuna" e canções de Chico Buarque.
O preço do bilhete é 10€ (mais de 10 pessoas); bilhete mais jantar fica em 16€
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Solicitamos que se inscrevam o mais rápido possível, no máximo até dia 11, através do tel. da Associação Abril 927393445 ou do email associabril@gmail.com, pois precisamos reservar os bilhetes antecipadamente.
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Arraial comemorativo do 25 de Abril

"Por uma cultura da paz"
Dois dias, 23 e 24, dedicados a comemorar Abril: no primeiro dia, à tarde, as crianças, aprenderam sobre significado e a importância de duas datas da história de Portugal, através do Jogo da Glória gigante, em que responderam a questões sobre o 25 de Abril, e de uma peça de teatro interactiva sobre a República. No final, expressaram numa pintura colectiva, as ideias de liberdade e de paz. À noite, nos dois dias, houve Festa animada, mas também reflexão sobre a temática proposta e sobre os valores fundamentais recuperados pela revolução de Abril, expressa na decoração do recinto, nas mensagens das várias associações e nos espectáculos em palco.
Duas razões nos moveram para organizarmos o Arraial, sob o signo de sim à Paz e não à guerra, tema proposto por uma organização participante -PAGAN- e alargada por nós para o lema mais global "por uma cultura da paz". A primeira razão, porque o mundo está em evidente convulsão social, a vários níveis, e a segunda, porque, termina em 2010 a década a que a Unesco dedicou a este tema, que se iniciou em 2000, com lançamento do ano internacional da cultura da paz.
Achámos, pois, pertinente, a jeito de balanço, reflectir sobre o que aconteceu no mundo, nesta década, em relação à paz e à guerra. Não deixa de ser trágico confrontar as boas intenções com os factos reais e verificar a situação de guerra que se vive hoje no mundo. Guerra em muitos sentidos, onde se inserem não apenas os conflitos armados mas também a violência nas suas variadas formas. Verifica-se, assim, que desde 1991, as guerras não têm parado: guerras na Jugoslávia, Palestina, Somália, Afeganistão-Paquistão, Iraque, Líbano, Gaza... São guerras com ocupação militar prolongada; com um enorme grau de destruição de pessoas e bens; com violências inomináveis sobre as populações; com o uso indiscriminado de armas proibidas e de destruição massiva; com incontáveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade; com violações dos direitos humanos e do direito internacional; com flagrante desrespeito e progressiva marginalização da ONU e da Carta das Nações Unidas. E não ficaremos por aqui. Infelizmente novas ameaças de conflitos se avizinham... talvez Irão, Coreia do Norte, Iémen, Geórgia, Somália ...
Este recurso tão cruel à guerra e à violência significa esquecer tudo o que nós, enquanto seres humanos, aprendemos e conquistamos durante muitos séculos. Significa ignorar avanços como a abolição da escravatura; a abolição da pena de morte na maioria dos países; o derrube de muitas ditaduras; a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com o reconhecimento de que todas as raças, religiões e culturas têm o mesmo valor e enriquecem o património humano; o direito universal à Educação; a justiça que garante às mulheres igualdade de direitos e o exercício pleno de suas capacidades; os direitos dos trabalhadores por melhores condições profissionais; o esforço desenvolvidos pela protecção da natureza, pelos direitos da terra, da "pacha mama".
É pois necessário mudar de paradigma. Transformar os valores de uma cultura de violência e de guerra, nos valores de uma cultura de não-violência e de paz.
A cultura da paz é um processo contínuo de ensino e de aprendizagem, de desenvolvimento pessoal e social e de prática no dia-a-dia familiar, comunitário e nacional. Também não é um processo passivo, e a humanidade deve saber geri-la, esforçar-se por ela e promovê-la.
A cultura da paz insere-se no respeito pelos direitos humanos e "constitui terreno fértil para que se possam assegurar os valores fundamentais da vida democrática". Insere-se na construção solidária de uma nova sociedade: no respeito pela diversidade, pela pluralidade, pela igualdade, pela justiça social, pelo cuidado e protecção de todos os seres vivos, pela responsabilidade individual e colectiva e pela solidariedade universal.
A cultura da paz é um desafio, urgente, à escala planetária e foi também o desafio que nós lançámos neste Arraial comemorativo dos 36 anos do 25 de Abril.
Por isso, desafiámo-nos e desafiámos-vos a conjugar o signo "por uma cultura da paz" com o lema da "cultura do desassossego", numa simbiose que obriga a agir e estimula o quebrar com a apatia, a resignação, a inércia e o comodismo. Convidámos-vos a unir as mãos ou a arregaçar as mangas e a sair do vosso “porto seguro” para partir na direcção do “porto futuro”, alcançando ancoradouros aparentemente inacessíveis.
Não desejamos que este desafio seja encarado como uma utopia ou um sonho. Pelo contrário, deve ser visto como objectivo primordial da humanidade. E também porque acreditamos, com Margareth Mead, que mesmo um pequeno grupo, mas que pense e esteja atento, seja comprometido e sensível com o que o rodeia, pode mudar o mundo, desde que navegue orientado pelas estrelas do querer e da solidariedade.
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Arraial do 25 de Abril 2010

25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

De entre as iniciativas e actividades que a Associação Abril organiza regularmente, destaca-se o Arraial do 25 de Abril, que desde a celebração do 30º aniversário da Revolução dos Cravos se realiza no Largo do Carmo, local emblemático e simbólico da adesão do povo ao Movimento dos Capitães que nos devolveram a liberdade, suprimida durante décadas. Esta Festa, sem cariz partidário nem institucional, tem como primeiro objectivo não deixar apagar a memória de um processo histórico profundamente marcante na sociedade portuguesa. Movem-nos, assim, propósitos de carácter educativo e pedagógico, pois, apesar da sua natureza lúdica, esta é uma oportunidade de ensinar e aprender cidadania e de chamar a atenção das novas gerações para os ideais defendidos pela revolução de Abril. Neste contexto, por iniciativa da Associação Abril, a participação de várias organizações cívicas e culturais e com a colaboração, entre outras, da Câmara Municipal de Lisboa, da Junta de Freguesia do Sacramento, da Associação de Turismo de Lisboa e da Guarda Nacional Republicana, vai comemorar-se pelo 7º ano consecutivo o 25 de Abril, com a realização do Arraial no Largo do Carmo. O projecto do Arraial para 2010 vai ter um formato semelhante aos anteriores, embora este ano o estendamos a dois dias de festa, dado que a data coincide com um fim-de-semana e, também, porque queremos, de algum modo, alargar o seu âmbito e estabelecer uma relação, em termos históricos, com o centenário da implantação da República que este ano se comemora.

É uma Festa cívica, com um formato misto entre o Arraial e um Espaço livre na cidade à cultura e à informação. É realizada por cidadãos para cidadãos, aberta a todos os que nela queiram participar, sem cariz partidário nem institucional mas com profundo sentido político. Constitui uma forma de praticar cidadania e de valorizar o exercício da democracia participativa e de intervenção, na defesa dos valores da justiça social e da liberdade.

Assim, ao longo do dia 23 de Abril, o programa dirige-se às escolas, com actividades que dêem a conhecer o significado destas datas (pequenos debates, exposições, teatro, pintura colectiva, jogos.) e, à noite, nos dias 23 e 24 privilegiaremos a participação das Associações, com a sua intervenção cívica e as suas manifestações culturais que vão desde a música, ao teatro, à dança e gastronomia e ainda a participação de artistas amadores e profissionais.

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O mundo em estado de guerra?

Não seria necessário o ponto de interrogação pois as evidências são gritantes, tão reais e concretas que só quem não quer é que não percebe o turbilhão de violência, agressões, violações, desrespeito e crimes contra a humanidade que se vão cometendo em várias partes do mundo. O ser humano está transformado no predador mais brutal que existe á face da terra. A sua ambição e crueldade não têm limites. Por isso a necessidade urgente e constante de mobilização da sociedade civil, daqueles que pensam que é preciso e possível inverter o sentido dos acontecimentos, acreditando que um mundo melhor é possível. Sabemos que a mudança social acontece quando toda a sociedade assume que ela deva acontecer, lutando por isso, sendo corresponsável pela sua concretização.
Esta acção sobre o Iraque é um apelo à consciência política e humana de todos nós. Mobilizemo-nos para dizer não à guerra e à injustiça.
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Dia Internacional da Mulher Concentração no Rossio, a partir das 17.30h.
8 de Março
A Associação Abril está presente nesta iniciativa da MMM e convida @s associad@s a participar na luta por um mundo mais justo e solidário em que todas e todos possamos fazer uso pleno dos nossos direitos fundamentais e viver a cidadania.
Marcha Mundial das Mulheres: Entre 8 e 18 de Março marcharemos por todo o país!
Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres reafirma a sua utopia na construção de um mundo melhor baseado na paz, justiça, igualdade, liberdade e solidariedade. Em 2010, nós, mulheres em marcha até que todas sejamos livres, convidamos tod@s a participar, a debater e a exigir o bem comum e os serviços públicos como direito básico e fundamental, o fim da violência contra as mulheres, a autonomia económica das mulheres, a paz e a desmilitarização, pois não queremos nem guerra que nos mate, nem paz que nos oprima. Em Portugal, a programação construída colectivamente por várias organizações e pessoas, inclui acções de rua, marchas, oficinas, ciclos de cinema, debates, construções colectivas, palestras, partilha de testemunhos, um pouco por todo o país. (adaptado de um texto da Associação Moinho da Juventude). Dia 8 – Segunda I Das 17h30 às 19h30 I Rossio - LISBOA Arranque da 3ª Acção Internacional da MMM Acção de rua com as Marchantes, distribuição de folhetos da Marcha Mundial das Mulheres e sensibilização para as reivindicações em torno dos 4 Eixos. Animação Musical com a presença de Hip Hop de Baton, Bloco de Maracatu da Casa do Brasil de Lisboa, Coro da Casa da Achada, Grupo de Percussão do GAIA e Batucadeiras do Moinho da Juventude. Marcha Mundial das Mulheres Portugal http://www.marchamundialdasmulheres.blogspot.com/ http://www.facebook.com/home.php?#%21/marchamundialdasmulheresPT http://www.youtube.com/watch?v=VsMvJrza3v0 http://www.mmm2010.info/

Lembrar Gaza

A Associação Abril, solidária e apoiante da iniciativa, apela aos seus associados para participarem nas actividades de evocação e repúdio do massacre de Gaza. "Lembrar Gaza"
PROGRAMA
Data: 4ª feira, dia 13 de Janeiro 2010 Local: Livraria Ler Devagar Horário: 21H30 - NOITE DE DANÇA, TEATRO E POESIA PARA EVOCAR GAZA - "Na queda do chumbo" pelo grupo Gestos - Dança Contemporânea - "Sete Crianças Judias" Texto de Caryl Churchill Tradução e Direcção de Bruno Mendes Actores/Actrizes - André Sobral, Bruno Mendes, Helena Miguel, Lígia Santos, Marta Jorge, Rita Caeiro e Rita Costa. - Conversa/debate com o director e actores/ actrizes - Leitura de poesia - "21 Haikus sobre Gaza" por David Rodrigues; “De Lisboa para Gaza” por Alan Stoleroff; e poemas em árabe lidos por Shahdwadi Data: domingo, dia 17 de Janeiro 2010 Local: Voz do Operário Horário: 15 horas - DOCUMENTÁRIO - “To Shoot an Elephant” de Alberto Arce e Mohammad Rujailah
O dia 18 de Janeiro de 2010 representa o primeiro aniversário do fim do bombardeamento da Faixa de Gaza por Israel. Um ataque que começou a 27 de Dezembro de 2008 e durou até 18 de Janeiro de 2009, e no qual 1,412 Palestinos perderam as suas vidas. O documentário "To shoot an elephant" é um relato testemunhal a partir da Faixa de Gaza do que ocorreu durante esses dias. Esta narração directa e privilegiada torna-se num instrumento com o qual podemos confrontar a propaganda Israelita e o silêncio da comunidade internacional sobre o que realmente aconteceu. Pelo seu valor como testemunho da população civil, "To shoot an elephant" tornou-se um relato legítimo que conta o que realmente ali aconteceu. É um retrato insubstituível do que os meios de comunicação social tentam esconder, uma excepcional banda sonora a ser ouvida por aqueles que vivem sob o controle Sionista... fragmentos de realidade a mostrar como a vida é numa guerra onde não há possibilidade de escapar. - Conversa/debate com José Manuel Rosendo jornalista da Antena 1 Data: segunda-feira, dia 18 de Janeiro de 2010 Local: Largo de S. Domingos, em Lisboa Horário: 18 horas - CONCENTRAÇÃO Para evocar o massacre de Gaza! Para exigir o fim do cerco ilegal a Gaza! A iniciativa "Lembrar Gaza" é promovida por diversas organizações e personalidades e tem como finalidade relembrar e repudiar a ofensiva militar israelita a Gaza, que decorreu entre 27 de Dezembro de 2008 e 18 de Janeiro de 2009. ACUSAMOS o Estado de Israel, as suas Forças Armadas e o seu Governo
Com base nos relatórios da situação de Gaza por organizações de direitos humanos, tais como Amnesty International, Palestinian Committee on Human Rights, Human Rights Watch e International Committee of the Red Cross e, especificamente, o “Relatório Goldstone” produzido para o Human Rights Council da ONU,
Perante o país e o mundo,
ACUSAMOS o Estado de Israel, as suas Forças Armadas e o seu Governo:
• de graves violações do direito internacional humanitário, de direitos humanos e de guerra contra o povo palestiniano de Gaza, no decorrer da operação militar denominada “Chumbo Fundido”, entre 27 Dezembro de 2008 e 18 de Janeiro de 2009;
• de graves crimes contra a Humanidade pelo castigo colectivo deliberadamente concebido e imposto sobre o povo palestiniano com o bloqueio de Gaza. Perante o país e o mundo,
• apelamos ao apuramento das responsabilidades pelos crimes de guerra e pelos crimes contra a humanidade • e exigimos o levantamento do cerco ilegal a Gaza. Lembrar as mais de 350 crianças que foram mortas durante o massacre Criança da Palestina
"Pai, olha para mim. Sou o Ahmed. Porque estás a dormir? Não ouves o barulho das bombas, nem vês o brilho do fogo? Está tudo a arder, pai, tenho medo! Pai, acorda! Acorda e conta-me uma história. Aquela história que a mãe contava antes daquilo acontecer. Lembras-te da mãe? Ficou com os olhos muito abertos de espanto, depois de me gritar para fugir. Eu fugi pai. Depois eu chorava e tu choravas, mas não conseguiste fechar-lhe os olhos. Foi ontem, pai ,que a mãe ficou a olhar para mim? Eu fugi, pai, mas agora estou aqui. Onde é que estou, pai? Tu estás a dormir, pai? Os gritos não te acordam? Pai, tenho medo. Conta-me aquela história de quando eu for grande. Lembras-te da mãe? Dos olhos tristes da mãe, enquanto sorria a contar-me a história? Pai, estou com frio. Abraça-me e deixa-me deitar a cabeça no teu colo. Tenho tantas coisas na minha cabeça...vejo os sorrisos da avó, a mãe a dar beijos no mais pequeno e tu a beberes água da fonte e a água a escorrer-te pelas barbas e eu a jogar à bola e a rir com os meus amigos. Tantas luzes na minha cabeça, pai ! Mas agora quero aquela história da Paz quando eu for grande. Lembras-te? A mãe ensinou-me a escrever essa palavra e disse para escrever as letras abraçadas e colocar na janela para toda a gente ver. Disse também para pintar uma flor mas eu pintei uma bola com muitas cores. Ela gostou da bola e disse que parecia o mundo. E depois disse que essa palavra pequena era a maior do mundo. Como eu era para a mãe. Eu era pequeno mas era grande como o mundo. Pode ser, pai? Mas o mundo é pequeno como a bola e grande como eu para a mãe? O que é o mundo pai? A mãe esqueceu-se de me explicar. Posso jogar a bola com o mundo e brincar à paz? Posso ir à escola no mundo e aprender a escrever mais letras abraçadas? Quero ir ter com o mundo pai. A mãe dizia que eu era o mundo dela. Deve estar lá à minha espera. Pai, eu sou o Ahmed. Acorda! Também sou o teu mundo? Deixa-me deitar no teu colo para ver melhor aquela estrela. Ela chama-me pai, será o mundo a chamar? Vou lá encontrar aquela palavra de letras abraçadas que pendurei na janela? Está lá a mãe à minha espera para me levar para nossa casa? Queres vir também, pai? Deixa lá, pai, descansa! A mãe está a dizer que vai contar-me a história toda de quando eu for grande..."
Lisboa, 13/01/2010_Guadalupe M.P.