Ciclo "Memória e Resistência"


23 de Abril -  23 de Julho  2012

APRESENTAÇÃO

Dando continuidade ao Plano de Atividades da Associação Abril para o presente biénio 2012/ 2013, e para o qual adotamos o lema
"um contentamento descontente"
verso de um soneto de Camões, delineámos um ciclo de debates e filmes denominado "Memória e Resistência".

Pretendemos, assim, não apenas lembrar acontecimentos que nos anos 60 abalaram o regime fascista que nos dominou durante 48 anos, mas também contribuir para que a memória seja preservada e a história se possa escrever com fidelidade.

Com esta iniciativa queremos ainda prestar uma simbólica homenagem a todos os intervenientes nestes acontecimentos de grande significado histórico e político.

Desejamos também refletir sobre o significado e a importância que esses factos tiveram na época, bem como avaliar o seu impacto e a sua influência na formação da mentalidade responsável e atuante que levou à queda da ditadura em 25 de Abril de 1974.

Finalmente, pretendemos extrapolar essa reflexão para os problemas sociais e políticos que afetam a sociedade portuguesa nos tempos de hoje.


PROGRAMA

23 de Abril - 18.30h
 
Conferência:  A Crise académica de 1962 - 50 anos depois
Conferencistas: Isabel do Carmo, José Zaluar Basílio, Francisca Soromenho e João Marecos
Integrado no Festival dos Cravos de Abril, jovens de ontem e de hoje refletem sobre as crises estudantis, as suas semelhanças e diferenças.

Debate

28 de Maio - 18.30h

Mesa redonda: Trilhos da Liberdade
Participantes: Amândio Silva, Camilo Mortágua e Manuel Pedroso Marques
Relatos pessoais de alguns dos protagonistas de atos de rebelião contra a ditadura, como o Assalto ao Navio Santa Maria, o Desvio do Avião da linha Marrocos-Lisboa e o Assalto ao Quartel de Beja, Reflexão sobre o impacto e consequências desses acontecimentos na sociedade portuguesa.

Debate

18 de Junho - 18.30h

Colóquio: Católicos Progressistas 
Sessão organizada em dois momentos:
1ª mesa
Comunicações e testemunhos: Ana Vicente, António Correia, João Medina, Manuela Braz Jorge, Maria Vitória Vaz Pato, Nani Sallio.
Evocação de homenagem a António Jorge Martins e Sereno Regis, duas personalidades pouco conhecidas mas marcantes neste movimento renovador que ajudou a criar uma nova consciência política e desafiou não só o  sistema ditatorial como a própria Igreja, destacando ainda o papel do líder principal deste processo, Nuno Teotónio Pereira.

2ª mesa
Depoimentos de: Maria da Conceição Moita, Francisco Fanhais, Joana Lopes, Mário Brochado Coelho e Paulo Fontes.
Memórias de uma época de luta e empenhamento religioso, político e social, numa perspectiva de extensão do debate para a actualidade e no sentido de desenvolver ideias e apontar propostas de acção e de intervenção na atual conjuntura política.

Debate

9 de Julho - 18.30h

Documentário: À procura do socialismo, de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo.
História das ideias socialistas desde Antero de Quental até à votação e aprovação da 1ª Constituição depois do 25 de Abril.

Debate

23 de Julho - 18.30h

Filme: A Fuga, de Luís Filipe Rocha
Ficção sobre uma fuga de presos políticos do forte de Peniche.
  
Debate

Nota 1: Contamos com a presença dos realizadores nos debates

Nota 2 : Durante as sessões estarão à venda livros das/dos conferencistas e de outros autores, sobre a temática do Ciclo, podendo ocorrer sessões de autógrafos.


Organização: Associação Abril
Parceria: SPA – Sociedade Portuguesa de Autores
 Auditório Maestro Frederico de Freitas
Av. Duque de Loulé, n.º 31 - Lisboa

Entrada livre
 
AGRADECIMENTOS: A Associação Abril agradece à SPA pelo apoio prestado, bem como aos conferencistas e a todas e todos que connosco colaboraram

Convite


Festival dos Cravos de Abril 2012


Festejamos o 25 de Abril há 8 anos, com uma programação variada que tem melhorado de ano para ano. Para além da programação habitual com conferências, filmes, atividades com crianças, concurso de fotografia, este ano ainda evocámos, num belíssimo concerto, no também belo jardim de S. Pedro de Alcântara, as figuras ímpares de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, sob a égide do projeto da AJA Norte "amigos maiores que o pensamento".

O Festival dos Cravos de Abril insere-se no Plano de Atividades da Abril para o biénio de 2012/2013 que elegeu para lema um verso de Camões que fala de "um contentamento descontente". Fomos buscar a Camões estas palavras, que embora retiradas de um poema de amor se adaptam muito ao tempo de hoje, se quisermos extrapolar para outros sentidos e significados.

No entanto, também se trata de amor. Um amor contente que nos leva a realizar atividades, a festejar Abril, a não deixar perder a memória, a dignificar a mulher, a realizar visitas culturais, a organizar ações de solidariedade, a participar em atividades politicas pugnando pela justiça social, a não esquecer que o povo começou a ter voz no dia em que em conjunto e sem medo cantou "Grândola, vila morena". Esse é o nosso contentamento de resistência, de não desistir e não cair na apatia ou na indiferença e cuja mensagem queremos transmitir às novas gerações. É bem o nosso amor contente à causa da democracia, da cidadania e da liberdade.

Mas também é um amor descontente porque são difíceis de trilhar os caminhos da cidadania. Torna-se cada vez mais complicado os cidadãos anónimos terem direito a fazerem-se ouvir, a atuar no quotidiano de forma voluntária, responsável, sem qualquer outro interesse que não seja o da participação, da consciência cívica, o de tentar contribuir para a construção de um mundo mais justo e solidário.

Esta Associação se não tivesse outros objetivos, que os tem, apenas pelo nome que assumiu tem responsabilidades acrescidas que a vinculam a uma data que quer defender, bem como tudo o que ela trouxe de valores fundamentais para sociedade portuguesa.

É um dever cidadão, é nosso dever, o de melhorar a democracia, defender a democracia participativa e comunitária, pois vivem-se tempos de uma democracia e "baixa intensidade", de fraca qualidade, que não defende os cidadãos mas protege acerrimamente os mercados e o capital. Por isso, é preciso acrescentar valor à democracia e isso faz-se com cidadãos ativos e também com iniciativas que envolvam a sociedade civil.

E voltando a Camões dizer que também trazemos em nós aquele "fogo que arde sem se ver" mas que atiça aquele outro que ardendo se vê nos nossos atos e na nossa paixão de defesa da dignidade humana. Por isso não desistimos e continuamos a lutar.

Em baixo podemos ver as fotos das atividades entretanto realizadas:

1. Sessão de abertura do Festival dos Cravos de Abril, em que se distribuíram os prémios do Concurso de Fotografia, para além da visualização do filme "Os Índios da meia-praia", ao qual se seguiu um debate, com a presença do seu realizador, António da Cunha Teles, o que muito nos honrou.
 

2. Mesa- redonda sobre a "Crise académica de 1962-50 anos depois", com a participação de Isabel do Carmo, Zaluar Basílio, Francisca Soromenho e João Marecos.


3. Concerto de evocação e homenagem a Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso.

4. Arraial Popular de homenagem ao 25 de Abril.
1º. Dia
 

2º. Dia



2.º Concurso de Fotografia - "Esta cidade que eu amo"




1.º Prémio:  Janela Aberta - de Lígia Bento


2.º Prémio: Metáfora da Continuidade - de Maria Teresa Freire Bispo


3.º Prémio: Por ser uma Porta Aberta à Descoberta - de João A. Grazina


Menção Honrosa: Margens – de Àlex Tarradellas Gordo


Menção Honrosa: Notícias ao alto – de Ana Filomena P. Queirós


Parte das restantes trabalhos recebidos.

Programas específicos do Festival dos Cravos de Abril



(...) Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…


Álvaro de Campos


Festival dos Cravos de Abril 2012


Cravos vermelhos


Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!

Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!

...Bem sei vosso segredo...Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: "Uma manhã, o sol,

O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga..."


Florbela Espanca

 


2º CONCURSO DE FOTOGRAFIA


REGULAMENTO

I – OBJECTO E SUAS FINALIDADES

No âmbito do Festival dos Cravos de Abril – 2012, a Associação Abril lança o 2.º Concurso de Fotografia, sob o título “Esta cidade que eu amo”, que tem por finalidades: i) fomentar um olhar observador e espírito crítico sobre o local onde reside ou que visita (cidade, vila, aldeia ou bairro); ii) incentivar à reflexão sobre o significado da apropriação do espaço envolvente pelos seres humanos; iii) promover o respeito, a proteção e a defesa do património; iv) contribuir para o desenvolvimento da democracia participativa e comunitária.

II – TEMA

1. No contexto do exercício de uma cidadania ativa, as fotografias devem enquadrar-se no tema proposto, podendo abordar vários aspetos da paisagem urbana, do ponto de vista do património construído, bem como do património humano.

III – PARTICIPAÇÃO

2. Podem apresentar-se a concurso candidatos maiores de 16 anos.

3. Não é permitida a participação dos membros dos corpos sociais da Associação Abril.

IV – ESPECIFICAÇÕES

4. As fotografias deverão ser em formato JPG ou JPEG, com a dimensão mínima de 10cm x 15cm, que corresponde a 1.772px x 1.181px e 300 DPIs.
.
5. As fotografias deverão ser inéditas na apresentação a concurso.

6. As fotografias podem ser a cores ou a preto e branco.

7. Podem apresentar-se a concurso fotografias resultantes da montagem de outras fotografias da autoria do participante.

8. Cada fotografia deverá ter um título.

V – CONDIÇÕES DE CANDIDATURA

9. Cada participante poderá apresentar a concurso até três fotografias.

10. Cada fotografia deve ser apresentada em versão impressa (papel fotográfico) e em versão digital (no formato JPEG, em CD-ROM), juntamente com uma Ficha de Inscrição preenchida com letra de imprensa (maiúsculas) ou no computador.

11. Cada fotografia apresentada a concurso deverá ser acompanhada de um envelope, fechado e rotulado Concurso de Fotografia – “Esta cidade que eu amo”, no qual deverá incluir-se a Ficha de Inscrição (uma por fotografia), onde constem, conforme modelo de ficha em anexo, os dados seguintes: nome e idade do(a) participante; morada; contactos (telefónico e e-mail); título da fotografia. Conforme refere o n.º anterior, com a(s) fotografia(s) deverá incluir-se um CD-ROM com a versão digital da(s) mesma(s), tendo em vista a sua divulgação através da Internet.

12. De forma a facilitar o anonimato no processo de seleção, no verso das fotografias deverá registar-se apenas o título.

13. As fotografias deverão ser enviadas até ao dia 9 de Abril de 2012, impreterivelmente, (fazendo fé a data de carimbo dos CTT), para a morada da Associação Abril, conforme consta na Ficha de Inscrição.

VI – DIVULGAÇÃO

14. O Concurso e o respetivo Regulamento serão divulgados na Internet, através da página do Facebook e do Blogue da Associação Abril. A Ficha de Inscrição será disponibilizada através dos mesmos meios, podendo, também, ser enviada por correio eletrónico mediante solicitação.

VII – AVALIAÇÃO

15. A avaliação das fotografias será feita por um júri competente, nomeado pela Comissão Coordenadora da Associação Abril.

16. O júri procederá à avaliação tendo em conta os seguintes critérios:

 Adequação à temática
 Relevância da mensagem
 Criatividade
 Estética
 Qualidade técnica

VIII – PRÉMIOS

17. Serão premiadas as três melhores fotografias.

18. Os premiados receberão um troféu e ainda:

1.º prémio: estadia para duas pessoas, durante um fim de semana, num lugar de interesse patrimonial e histórico do país;

2.º prémio: voucher p/ frequência de workshop de fotografia orientado pelo fotógrafo José Gema;

3.º prémio: entrada para duas pessoas num espetáculo de teatro, música ou outro, à escolha do premiado de entre as ofertas existentes no momento.

Para cada prémio será estabelecido um montante limite pela Comissão Coordenadora da Associação Abril.

19. Poderão ser atribuídas menções honrosas.

20. Todos os participantes receberão certificados de participação.

21. O júri reserva-se o direito de não atribuição de qualquer um dos prémios.

22. De entre as fotografias premiadas o júri poderá selecionar uma ou mais para edição em cartaz pela entidade promotora do Concurso.

23. A entrega de prémios terá lugar numa sessão a agendar no âmbito do Festival dos Cravos de Abril.

IX – RESULTADOS

24. Os resultados serão divulgados através da Internet, na página do Facebook e no Blogue da Associação Abril, até ao dia 20 de Abril de 2012, com a publicação de todas as fotos em álbum específico.

25. Aos vencedores do concurso serão, ainda, comunicados os resultados através de contacto telefónico ou por correio eletrónico.

26. Para além da publicação das fotografias na Internet, a entidade promotora do concurso poderá organizar uma exposição, em data e local a definir, reservando-se o direito de selecionar as fotografias a incluir na mostra.

X – DISPOSIÇÕES FINAIS

27. A participação no Concurso implica a aceitação dos termos do presente Regulamento e a cedência, a título gratuito, dos direitos de autor à Associação Abril.

28. A Associação Abril reserva-se o direito de divulgar, editar, utilizar e reproduzir livremente as fotografias, sendo assegurada a divulgação da respetiva autoria.

29. Todos os casos omissos ou que suscitem dúvidas neste Regulamento serão decididos por deliberação do júri.

30. Das decisões do júri não haverá lugar a recurso.

31. Serão excluídas as candidaturas que não respeitem os pré-requisitos estabelecidos no presente concurso.

Nota: Para inscrever as fotos aceda ao link: Ficha de Inscrição no Concurso, e em seguida à esquerda, em Ficheiro, imprima para fazer preenchimento manual, ou faça o download para o Word para preenchimento informático, para envio a acompanhar o envelope da foto.

PATROCÍNIOS:



Convocatória

Nos termos da alínea a) do nº 1 do artigo 11º e para os efeitos do nº 1 do artigo 9º do Regulamento Interno, convoco uma sessão ordinária da Assembleia Geral da ABRIL – Associação Regional para a Democracia e o Desenvolvimento para o próximo dia 1 de Março às 18h30 na sede à Rua Castilho, 61, 2º Dtº, Lisboa com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1.     Informações.
2.     Apreciação e votação do Relatório de Actividades e Contas da Gerência de 2011.
3.     Eleição dos órgãos da Associação (Mesa da Assembleia Geral, Comissão Coordenadora e  Conselho  Fiscal) para o período 2012-13.
4.      Outros assuntos.


Lisboa, 14 de Fevereiro de 2012
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
João Lavinha
NB: De acordo com o artº 21º do Regulamento Interno

1.        As candidaturas serão apresentadas ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, por listas nominais, separadas para cada um dos órgãos, até ao décimo dia anterior à reunião da Assembleia Geral Eleitoral.
2.        As listas deverão ser subscritas por, pelo menos, 10% dos membros no pleno gozo dos seus direitos associativos.
3.        Nenhum membro pode propor mais do que uma lista nem pode ser candidato por mais de uma lista.
4.        Não é obrigatório apresentar listas para todos os órgãos da Associação.
5.        As listas concorrentes, depois de ordenadas pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, serão impressas em boletins de voto de igual dimensão e formato.
6.        As listas serão afixadas na sede da Associação com a antecedência mínima de oito dias da data da eleição.

25 anos sem Zeca Afonso

Passaram 25 anos, Zeca, amigo maior que o pensamento, saíste da cidade , um chão de palavras pisadas, cantaste não me obriguem vir para rua gritar, sonhaste com a cidade sem muros nem ameias, com gente igual por dentro e gente igual por fora, disseste traz outro amigo também e venham mais cinco e seja bem-vindo quem vier por bem e disseste olha  o sol que vai nascendo, anda ver o mar, o mar tão grande, o mundo tão largo, tu filho da madrugada recolheste sombras onde viras luzes de orvalho ao meio dia, andaste à giesta, ao lírio maninho e a formiga saiu-te no carreiro em sentido contrário e fizeste um redondo vocábulo porque  o amor não te engana com sua brandura e sete fadas te fadaram e disseste vou ser como a toupeira e sei como se faz um canalha e conheço os vampiros comem tudo e a não deixam nada e tiveste o diabo na mão e era de noite e levaram e  a morte saiu à rua num dia assim  mas gritaste o povo é quem mais ordena e enquanto há força no braço, seremos muitos seremos alguém e clamaste mudem de rumo, mudem de rumo!
Por trás daquela janela/ por trás daquela janela/faz anos o meu amigo, irmão!

"A memória no feminino" nos 25 anos da Abril



Algumas palavras em jeito de balanço sobre o  Ciclo de Conferências organizado pela Associação Abril em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores.

Quase sem contarmos já estávamos a organizar actividades em parceria com a SPA. Valeu-nos o interesse e a disponibilidade do seu presidente Dr. José Jorge Letria que acolheu a nossa proposta. Duas vontades se conjugaram e, em nossa opinião, com um bom resultado: por um lado havia o julgamento dos arguidos no caso da "Filha Rebelde " e o envolvimento da SPA na defesa da autora da peça e dos directores do Teatro D. Maria II. Por outro, o empenhamento da Abril em denunciar a situação e divulgar o mais possível o que se passou naquele tribunal, desde o atentado à liberdade de expressão e criação, até ao desfecho favorável. Tudo isto coincidiu com o programa da celebração dos 25 anos da Associação, sob o signo "A memória no feminino". Na altura da programação  lutávamos com a necessidade de um espaço melhor do que o da nossa sede para realização desta iniciativa. Convencidas que somos de que "quem procura sempre encontra", achámos  mesmo. Aproveitámos com enorme satisfação a disponibilidade militante  e o espírito de Abril existente na SPA, para a Abril  falar, desta vez, no feminino.

Neste nosso ensejo de usar as palavras de ordem de MLP: dar voz aos sem voz, denunciar, enunciar, dizer, agir a palavra, organizámos, então, com o apoio precioso da SPA e seus colaboradores, cinco sessões sob o tema do feminino e da memória. Nas  duas primeiras sessões, através da projecção do vídeo da peça de teatro, demos voz à filha que, abraçando a revolução cubana, se rebelou contra a política cruel e sinistra defendida pelo pai, o major Silva Pais, director da PIDE, até 1974.

Depois recuámos para a 1ªRepública, tempo em que foram dados os primeiros passos pela emancipação da mulher. Iluminadas pela memória, foram recordadas mulheres carismáticas como Adelaide Cabete, Ana Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, entre outras, pioneiras que lutaram pela sua/nossa igualdade de direitos e oportunidades. Coube a Ana Vicente, ela própria uma lutadora inconformada com as injustiças sistemáticas de que a mulher é vítima, fazer  uma excelente comunicação sobre este período de abertura e esperança.

Na terceira (quarta) sessão imergimos no período negro do fascismo, nesses anos de chumbo que marcaram de forma cruel a nossa história recente. Ouvimos protagonistas reais, mulheres que experienciaram os duros efeitos da ditadura, da guerra colonial, mulheres que  convictamente defenderam as suas ideias, que foram protagonistas activas do seu destino e ajudaram a fazer a história. Mulheres corajosas, de luta, de resistência, defensoras da liberdade e que sentem, hoje, apesar do reviver da dor, a necessidade de alertar, de passar a palavra, não permitindo que a memória se apague e que o fascismo seja "branqueado ou lavado" por interesses obscuros. Com emoção escutámos os tocantes depoimentos de Helena Neves, Aurora Rodrigues, Helena Pato e Ana Bela Vinagre.

A última actividade, integrada neste ciclo, foi dedicada a Maria de Lourdes Pintasilgo, sua vida e obra. Tivemos o visionamento de um filme e três oradoras excepcionais - Alfreda Ferreira Fonseca, Maria do Loreto Paiva Couceiro e  Maria Luisa Beltrão - que nos trouxeram a personalidade  rica e multifacetada MLP sob diferentes vertentes: política, social, cívica e religiosa. Em jeito de pequena mas sentida homenagem, com imagens e palavras foi lembrada essa grande mulher que ficará nas páginas da nossa história recente, como verdadeira protagonista, pelo seu projecto político diferente e inovador e que, para além da outras lutas, também se envolveu na causa das mulheres e trabalhou e pugnou pela sua dignidade social.

Uma palavra muito especial e carinhosa aos músicos que emprestaram  a estas sessões  uma beleza e um ambiente muito peculiar e enriquecedor.

Para a Abril este ciclo "A memória no feminino" foi o começo de uma futura e desejada  parceria e colaboração com a SPA, estando em curso a assinatura de um Protocolo entre as duas Instituições.

Convite

Para o encerramento das celebrações do 25º Aniversário da Associação Abril e do Ciclo de Conferências subordinado ao tema "A memória no feminino", gostaríamos muito de poder contar com a vossa presença na sessão evocativa de Maria de Lourdes Pintasilgo, mulher ímpar da sociedade portuguesa, que desempenhou de forma exemplar alguns dos mais altos cargos políticos, tanto em Portugal como no estrangeiro.


Oradoras: Alfreda Ferreira Fonseca, Luísa Beltrão e Maria do Loreto Paiva Couceiro,

A sessão é precedida de um momento musical com a participação de Isabel Sevivas.

Realização: 5 de Dezembro, às 18.30h, na SPA – Sociedade Portuguesa de Autores

Auditório Maestro Frederico de Freitas, Av. Duque de Loulé, n.º 31

Convite

A Associação Abril, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, tem o prazer de convidar para uma mesa redonda denominada "As lutadoras da Resistência", com a participação de Ana Bela Vinagre, Aurora Rodrigues, Helena Neves e Helena Pato.

A sessão será precedida de um momento musical com a participação de Celina da Piedade

Esta actividade insere-se no âmbito das celebrações do 25º Aniversário da Associação e no Ciclo de Conferências, subordinado ao tema "A memória no feminino".

Realização: 14 de Novembro, às 18.30h, na SPA – Sociedade Portuguesa de Autores.

Auditório Maestro Frederico de Freitas, Av. Duque de Loulé, n.º 31

Convite

No âmbito das celebrações do seu 25º Aniversário, a Associação Abril em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores tem o prazer de convidar para um Ciclo de Conferências, subordinado ao tema "A memória no feminino".

A primeira comunicação "As mulheres na 1ª República" estará a cargo de Ana Vicente, escritora, investigadora e especialista em questões relacionadas com a condição feminina.

Realização: 24 de Outubro, às 18.30h, na SPA – Sociedade Portuguesa de Autores.

Auditório Maestro Frederico de Freitas, Av. Duque de Loulé, n.º 31

Entrada livre

25º Aniversário


"A memória no feminino"

21 de Setembro a 5 de Dezembro

2011

SPA - Sociedade Portuguesa de Autores

"A democracia em Portugal não pode ser expressa nem realizada fora da relação entre democracia formal e aprofundamento da democracia participativa a que se refere de forma clara a Constituição."

“ (…) a última década viu engrossar a necessidade e a coragem de os cidadãos participarem mais nas questões a que o mundo tem que fazer face".

in VISÃO, 2003.

Maria de Lourdes Pintasilgo

"(...) cidadã notável, que serviu Portugal nos mais altos cargos e funções, sempre com grande talento, dedicação inexcedível e numa atitude permanentemente inovadora"

Jorge Sampaio

APRESENTAÇÃO

Coincidindo com o encerramento do mandato do biénio 2009 - 2011, que decorreu sob o lema "A cultura do desassossego", festejamos os vinte e cinco anos da nossa associação, com a organização de um ciclo de actividades e conferências, dedicado ao tema:

"A memória no feminino"

Com esta iniciativa, pretendemos lembrar algumas das mulheres que durante o último século travaram a dura batalha pela conquista de todos os seus direitos, designadamente algumas das pioneiras da 1.ª República, as que lutaram contra a privação das liberdades individuais e aquelas que viveram e sofreram os danos e as ausências da guerra colonial.

Pretendemos ainda evocar e homenagear a memória da nossa mentora Maria de Lourdes Pintasilgo que, no desempenho de altos cargos de governação em Portugal, nunca esqueceu a sua condição feminina.

PROGRAMA

Setembro 21 - 18.30
Outubro 14 - 18.30

"A Filha Rebelde"

Projecção do vídeo da peça de teatro de Margarida Fonseca Santos, inspirada na obra homónima de Valdemar Cruz e José Pedro Castanheira, encenada e dirigida por Helena Pimenta.

O tema da peça - percurso de emancipação e adesão à revolução cubana da jovem Annie, filha do Major Silva Pais, director da PIDE - provocou a instauração de um inédito processo judicial, contra a autora da obra e os directores do teatro D. Maria II, responsáveis pela sua realização.


Outubro 24 -18.30

Momento musical

"As mulheres e a 1ª República"
por Ana Vicente

Conferência sobre as mulheres pioneiras da 1ª República, que lutaram activamente pela igualdade de direitos e oportunidades.

Debate


Novembro 14 – 18.30

Momento musical com Celina da Piedade

"As lutadoras da Resistência"
por Ana Bela Vinagre, Aurora Rodrigues, Helena Neves e Helena Pato.

Mesa redonda sobre as mulheres da resistência durante o Estado Novo, com a participação de algumas das protagonistas que viveram e sofreram, sob diversas formas, os efeitos da repressão e da política colonial durante os 48 anos de obscurantismo e de luta conta a Ditadura.

Debate


Dezembro 5 – 18.30

Momento musical

Maria de Lourdes Pintasilgo, a política da diferença

Sessão evocativa de Maria de Lourdes Pintasilgo, com depoimentos de amigas e colaboradoras e com a projecção de um documentário sobre a sua vida e obra política. (intervenientes a confirmar)

Debate
Nota: Durante as sessões estarão à venda livros das conferencistas e de outros autores, sobre esta temática.


Organização: Associação Abril

Parceria: SPA – Sociedade Portuguesa de Autores

Local: SPA - Auditório Maestro Frederico de Freitas
Av. Duque de Loulé, n.º 31 - Lisboa


AGRADECIMENTOS

A Associação Abril agradece à SPA pelo apoio prestado bem como às conferencistas e aos músicos pela sua generosa colaboração.

MANIFESTO 15 de Outubro 2011 - A Democracia sai à rua!

A Associação Abril, dada a sua própria natureza, não pode ficar indiferente ao que se passa no mundo, em especial em Portugal. Uma crise sistémica, resultado das contradições do próprio capitalismo, abateu-se sobre a Europa e os Estados Unidos e ameaça criar situações de caos das quais ninguém sabe exactamente como sair.

Mesmo assim, aqueles que geraram a crise e dela se aproveitaram ou pretendem aproveitar continuam a receitar, para debelá-la, os mesmos remédios já antes aplicados em situações semelhantes, noutros lugares. A palavra de ordem do poder político, em obediência aos dogmas das TROIKAS, é privatizar, emagrecer o Estado, desresponsabilizando-o das suas obrigações em áreas como a Saúde, a Educação, a Cultura e a Segurança Social. Os programas impostos aos países, pelas suas regras neoliberais, vão contribuir para aprofundar o fosso entre os indivíduos e construir sociedades marcadas pelas desigualdades e pela injustiça, no caminho evidente de uma regressão social provocada por desemprego, precariedade, degradação do serviço público em geral.

Para além disso, os meios de comunicação social pouco têm contribuído para o esclarecimento das pessoas, pelo contrário, antes concorrem para a formatação de um pensamento que coarcta a pluralidade de ideias e torna inevitável o sentimento de que a única saída para a crise é a austeridade e o sacrifício daqueles que sempre se têm sacrificado. É contra esta inevitabilidade que temos que dizer: NÃO! Não podemos ser cúmplices deste plano aceitando que os mercados submetam os estados e tenham mais valor do que as pessoas e o seu bem-estar.

A Abril, que elegeu para este biénio de mandato o lema de "a cultura do desassossego", vem apelar a todas e a todos para uma união na denúncia de tamanha iniquidade. Recusemos a letargia e a resignação e, indignados, despertemos a inquietação e a rebeldia e lutemos pela qualidade da democracia, exigindo a prática da democracia participativa, consignada na Constituição. Uma Democracia que tenha no seu âmago o futuro e a esperança dos povos, baseada numa vida digna e solidária. Uma Democracia que faça florescer, de novo, um cravo de Abril.

E se a democracia sai à rua a 15 de Outubro, nós queremos sair ao lado dela e não apenas vê-la passar.